POLÍCIA

Filho de integrante do governo municipal tenta intimidar militares que atuavam em festa proibida

Publicado em 11/03/2021 às 08:09Atualizado em 18/12/2022 às 12:45
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Guarnição da Polícia Militar compareceu à rua João Miguel Hueb, no bairro Cidade Jardim, em Uberaba, por volta de 4h45 da madrugada desta quinta-feira (11) para atender a ocorrência de som alto. No local, os militares identificaram um homem de 41 anos com sintomas de embriaguez. Ele questionou a presença policial em sua residência e se disse vítima de perseguição de vizinhos, que estariam denunciando suas reuniões em casa. Vale lembrar que o decreto municipal em vigência, que regulamenta a onda roxa, proíbe qualquer tipo de evento e reunião até 22 de março. Ao ser informado de que seria lavrado boletim de ocorrência, o autor disse aos militares que é filho de assessor da prefeita Elisa e que nada aconteceria nem com ele nem com as outras três pessoas que participavam da reunião devido à influência de seu genitor na administração municipal. A reportagem acionou a Prefeitura sobre o caso.

Segundo o registro da ocorrência, os policiais militares foram acionados via 190 após denúncia de perturbação do sossego e descumprimento de regras municipais. Diante disso, guarnição se deslocou até residência na rua João Miguel Hueb para apuração durante a madrugada. No local, os militares constataram som alto na residência.

O boletim policial ainda narra que foi feito contato com um homem de 41 anos que se identificou como responsável pelo local e também pela reunião que estava acontecendo durante a visita da PM. Com visíveis sintomas de embriaguez, como fala desconexa, dificuldades de equilíbrio e hálito etílico, o homem negou que o volume do som em sua residência estava alto e disse aos militares que estava sendo vítima de perseguição por parte de seus vizinhos. Ainda de acordo com o registro da ocorrência, o homem a todo momento questionava a ação policial e revelou que seus vizinhos também haviam denunciado outra reunião feita por ele em sua residência nesta semana.

Diante das revelações do homem, os militares o informaram sobre a proibição de realização de reuniões ou eventos de qualquer natureza durante a vigência do decreto municipal que regulamenta a onda roxa em Uberaba. O boletim policial também informa a presença de pelo menos outras três pessoas no local dos fatos que não residem lá, sendo duas mulheres, uma de 25 e outra de 29 anos, e um homem de 23 anos.

Por fim, o registro da ocorrência esclarece que nenhuma das pessoas presentes no local usava máscara de proteção facial no momento da abordagem policial. Ao serem questionados sobre o motivo da infração, eles disseram que se tratava “apenas de uma reunião e que não havia proibição para tal plática”. O dono do imóvel, inclusive, disse aos policiais que seu pai é assessor da prefeita Elisa Araújo e que, mesmo sendo lavrado o boletim de ocorrência, nenhuma sanção seria imposta aos infratores devido à influência de seu genitor com a administração pública local.

Ao ser informado pelos militares da lavratura do boletim de ocorrência, o grupo disse aos policiais que atendiam à ocorrência que iriam proceder reclamação a respeito do ocorrido. Ato contínuo, foram orientados a procurar a Corregedoria da Polícia Militar ou representante do Ministério Público para realizar a reclamação.

A reportagem do Jornal da Manhã acionou a assessoria de imprensa da Prefeitura de Uberaba para averiguar possível punição ao grupo, uma vez que o decreto municipal determina aplicação de multa para quem descumpre as regras biossanitárias. A reportagem também questionou sobre a denúncia do autor de que nada aconteceria ao grupo devido à influência de seu genitor, que foi nomeado no Porta-Voz do dia 4 de janeiro como Assessor IV lotado no gabinete da prefeita Elisa Araújo. Nota enviada pela assessoria de imprensa destaca o trabalho desempenhado pelo pai do autor, que atua como assessor da prefeita, e ressalta que as punições previstas no decreto municipal são aplicáveis a todos, sem exceção. "Em que pese o pai de um dos envolvidos ser servidor da PMU, há que se ressaltar que o rapaz é maior de idade e responde pelos próprios atos. O pai é um servidor exemplar e não pode ser responsabilizado pelas atitudes do filho. Se foi lavrada a ocorrência as penalidades serão aplicadas para todos, sem exceção", diz a nota. No entanto, a Prefeitura não informou se o homem e seus amigos que estavam no evento irregular foram multados. A reportagem voltou a questionar sobre o procedimento administrativo em decorrência do decreto municipal, que em nada tem a ver com a investigação da Polícia Civil sobre o crime de perturbação do sossego, mas não obteve resposta. 

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