Mensagens e áudios atribuídos a aluno circularam nas redes sociais após colega nordestina comemorar resultado das eleições; instituto instaurou procedimento e acionou órgãos externos
(Foto/Reprodução G1)
O Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), campus Uberaba, apura denúncias de declarações racistas e xenofóbicas atribuídas a um estudante contra uma colega de turma em um grupo de WhatsApp. O caso ganhou repercussão nas redes sociais nesta segunda-feira (26), após a divulgação de capturas de tela e áudios com ofensas relacionadas à origem regional da estudante. Em nota, a instituição repudiou as manifestações e informou que iniciou os procedimentos para investigar os fatos e avaliar a eventual responsabilização dos envolvidos.
Segundo os relatos divulgados, as mensagens foram enviadas depois que a estudante, natural da região Nordeste, comemorou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Em um dos áudios compartilhados, o autor das declarações teria exigido que a colega deixasse Minas Gerais. “Sai de Minas Gerais, você polui nosso estado”, afirma a voz atribuída ao estudante.
Os nomes e as idades dos envolvidos não foram divulgados. As declarações são atribuídas a um aluno do curso técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio.
Ofensas teriam continuado em outro grupo
Conforme o relato divulgado nas redes sociais, as mensagens circularam inicialmente em um grupo de WhatsApp formado por estudantes do curso. Após as ofensas, o envio de mensagens no grupo original teria sido limitado, mas um segundo grupo foi criado, e os insultos teriam continuado.
A estudante decidiu tornar públicas as mensagens. Segundo o relato, outras alunas nordestinas também fazem parte da turma.
IFTM oferece acolhimento às vítimas
Em nota, a Direção-Geral do IFTM em Uberaba afirmou que repudia as declarações e condutas atribuídas aos estudantes e informou que instaurou procedimentos para apurar o caso e avaliar a eventual responsabilização dos envolvidos.
A instituição declarou que as providências serão conduzidas conforme os regulamentos internos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o ECA Digital e a legislação vigente. Também informou que órgãos externos competentes estão sendo formalmente notificados para a adoção das medidas legais cabíveis.
Além da apuração, servidores estão em contato direto com as vítimas para oferecer acolhimento e apoio institucional. A direção destacou ainda a atuação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), que desenvolve ações de educação para as relações étnico-raciais, letramento racial e enfrentamento ao racismo e às desigualdades no ambiente escolar.
No posicionamento oficial, o instituto afirmou que manifestações racistas e xenofóbicas violam os princípios da dignidade humana, da igualdade e do respeito à diversidade. A direção também reforçou o compromisso de manter um ambiente educacional seguro e inclusivo e declarou que “racismo e xenofobia não serão tolerados”.