Grupo desviava cargas na região de Uberaba e foi preso em meados de julho deste ano, após investigações do Gaeco com as polícias Civil e Militar de Minas e São Paulo
Arquivos
Presos durante a operação Cross Docking, acusados de roubo e desvio de cargas na região de Uberaba
Ocorreu na quinta-feira (24), a primeira audiência de instrução sobre o caso da quadrilha que desviava cargas na região de Uberaba e que foi presa durante a Operação Cross Docking, promovida pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), além de polícias Civil e Militar, de Uberaba e São Paulo. Ao todo, nove pessoas foram acusadas pelo titular da 5ª Promotoria de Justiça Criminal de Uberaba. O caso está a cargo do juiz auxiliar da 1ª Vara Criminal, Marcelo Geraldo Lemos.
Segundo o promotor Laércio Conceição Lima, as audiências e o julgamento, bem como o interrogatório dos réus, terão continuação nos dias 29, 30 e 31 de outubro e 1º de novembro. Foram arroladas 60 testemunhas e 26 vítimas. Além disso, também serão ouvidas as testemunhas arroladas pela defesa. Os réus respondem várias vezes por estelionato, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
As investigações começaram em dezembro de 2018 e durante oito meses foram solicitadas medidas de interceptação telefônica, e para quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos, concedidos pelos juízes Ricardo Cavalcante Mota, Marcelo Geraldo Lemos e Raquel Agreli, sem as quais não teria sido possível desmantelar a quadrilha. Em meados de julho deste ano, foram cumpridos mandados de prisão, bem como busca e apreensão, em Uberaba, Conceição das Alagoas, Ribeirão Preto (SP) e Goiânia (GO).
Foi verificado que a quadrilha iniciou as ações criminosas em 2012, mas no período da investigação foi apurado um prejuízo aproximado de R$1 milhão e 200 mil para clientes, seguradoras, motoristas e transportadoras. De lá para cá, foram registradas inúmeras ocorrências de cargas desviadas em vários Estados, em que as transportadoras eram ludibriadas pelos réus, passando-se por proprietários das cargas, a fazerem a descarga das mercadorias em Uberaba. Os motoristas dos caminhões eram abordados, o caminhão geralmente permanecia intacto e os condutores acabavam abandonados nas rodovias que cortam Uberaba.
Entre janeiro de 2018 e março de 2019, os integrantes da organização criminosa teriam movimentado montante superior a R$2 milhões, além de ter vários imóveis, veículos de luxo e um estabelecimento comercial, como meios de lavar o dinheiro resultante da venda das cargas, ocultando e dissimulando a origem dos recursos provenientes das infrações penais.