DHPP de Uberaba reavaliou provas e indicou fragilidade nos elementos que sustentaram a prisão em flagrante do investigado
A Justiça determinou a soltura de Clemeson Trindade Silva, conhecido como “Nenezinho”, preso inicialmente suspeito de homicídio ocorrido durante uma festa no bairro Jardim Alvorada, em Uberaba. O avanço das investigações conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontou fortes indícios de que ele não teria sido o autor da facada que matou Cleudenilson de Jesus Barros. A decisão judicial considerou novos depoimentos, análise de imagens e relatórios técnicos produzidos durante o inquérito.
Entenda: Homem é morto a facadas durante festa no Jardim Alvorada; suspeito é preso horas depois em Uberaba
O caso teve início na noite do dia 10 de maio de 2026, quando uma confusão generalizada foi registrada nas proximidades de uma festa realizada no bairro Jardim Alvorada. Durante o tumulto, Cleudenilson de Jesus Barros foi atingido por golpe de arma branca e morreu posteriormente em decorrência dos ferimentos.
Logo após o crime, a Polícia Militar realizou diligências e efetuou a prisão em flagrante de Clemeson Trindade Silva, apontado inicialmente como suspeito da autoria do homicídio. Conforme os registros, a prisão ocorreu com base em informações preliminares obtidas ainda durante o atendimento da ocorrência, incluindo denúncia anônima e reconhecimento informal realizado no local, situação considerada típica de fase inicial e embrionária de investigação criminal.
Após a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante, a advogada Thaís Monteiro passou a atuar na defesa técnica do investigado, acompanhando os desdobramentos do caso e apresentando elementos considerados relevantes para o esclarecimento dos fatos.
Advogada Thaís Monteiro acompanhou a defesa técnica de Clemeson Trindade Silva durante o andamento das investigações que resultaram na revogação da prisão preventiva. (foto: Divulgação)
Paralelamente, a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Uberaba, aprofundou as diligências investigativas. Segundo os autos, novas testemunhas foram ouvidas, gravações passaram por análise audiovisual e relatórios investigativos foram produzidos para reconstituição da dinâmica dos acontecimentos.
Com o avanço das apurações, a autoridade policial concluiu que havia inconsistências na identificação inicial do autor do crime. Em despacho oficial datado de 15 de maio de 2026, relacionado ao inquérito policial, o delegado de Polícia Civil Cyro Outeiro Pinto Moreira, titular da DHPP Uberaba, afirmou existirem “fortes indícios” de que Clemeson Trindade Silva não teria sido o responsável pela facada que matou a vítima.
No documento, o delegado destacou que depoimentos testemunhais, relatório investigativo e laudo de análise audiovisual enfraqueceram os elementos inicialmente utilizados para apontar a autoria do homicídio. Diante disso, a autoridade policial solicitou ao Poder Judiciário e ao Ministério Público a avaliação da expedição de Alvará de Soltura em favor do investigado, inclusive mediante eventual aplicação de medidas cautelares.
A atuação investigativa da equipe da DHPP foi considerada decisiva para o esclarecimento do caso, especialmente pela reavaliação técnica das provas produzidas durante a investigação. O despacho foi assinado pelo delegado Cyro Outeiro Pinto Moreira, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Uberaba.
Com base nas novas informações apresentadas pela Polícia Civil, o juiz Gustavo Moreira, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Uberaba, revisou a decisão anterior que mantinha a prisão preventiva do investigado. Na análise do processo, o magistrado ressaltou que houve alteração significativa no contexto probatório da investigação, aplicando o princípio jurídico conhecido como “rebus sic stantibus”, que permite revisão de medidas cautelares diante de fatos novos.
Na decisão, o magistrado destacou que não existiam mais elementos seguros para atribuir a autoria do crime a Clemeson Trindade Silva, concedendo liberdade provisória ao investigado.
Mesmo em liberdade, Clemeson Trindade Silva deverá cumprir medidas cautelares impostas pela Justiça, entre elas comparecer sempre que intimado pelo Poder Judiciário ou pela Autoridade Policial, além de não mudar de residência sem autorização judicial.