Para especialistas, os números reforçam a necessidade de mudanças nas políticas do setor
A maconha é a droga mais apreendida em Uberaba. Em uma década, o período de 2008 a 2018, 339 mil flagrantes foram registrados pelas forças de segurança no Estado. Uma média de quase cem por dia, segundo dados da Polícia Civil, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.
Para especialistas, os números reforçam a necessidade de mudanças nas políticas do setor, já que o modelo atual tem gerado prisões, confrontos e mortes sem que o problema seja sequer reduzido.
Em maio, uma carreta com três toneladas de cannabis foi interceptada em Juiz de Fora, na Zona da Mata. A apreensão foi a maior em 2019 até o momento.
A maconha é a substância ilícita mais consumida no país. Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta que 7,7% dos brasileiros de 12 a 65 anos já usaram o produto ao menos uma vez na vida.
“É preciso pensar em uma forma de legalização inteligente, que não seja elitista e excludente. Caso contrário, vamos continuar gastando com o combate a uma prática que nunca vai acabar”, defendeu o especialista Emílio Figueiredo, advogado da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas (Reforma) e pesquisador do Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (Ineac) da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Ineficiência
Advogado criminalista e membro do Instituto de Ciências Penais (ICP), Tiago Resende afirma que o aumento das apreensões demonstra que o agravamento da legislação não tem sido eficiente.
“Parte da solução é o trabalho de conscientização sobre o uso das drogas, mais do que a aplicação irrestrita da lei penal. Isso deu muito certo em relação ao tabagismo, sem que se proibisse o uso do cigarro”, compara.
*Com informações Hoje em Dia