POLÍCIA

Mortandade de animais pode alcançar 80% em alguns incêndios

Publicado em 09/10/2020 às 17:53Atualizado em 18/12/2022 às 10:11
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Foto/Divulgação

Animal foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros e transportado para o Hospital Veterinário de Uberaba

Calor, tempo seco e incêndios em vegetações: cenário atual é crítico. Além dos prejuízos à flora, a fauna também sofre.  A elevada taxa de mortandade entre animais e a interrupção de etapas do processo ecológico em áreas de preservação estão entre os problemas mais sérios referentes às queimadas para os animais e ecossistemas atingidos.

Em entrevista ao O Tempo, o biólogo Adriano Paglia, docente no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) explicou a situação. “Unidas de preservação muitas vezes estão em ambientes urbanos, cercadas por prédios e outras estruturas. Algumas das próprias áreas, como o que aconteceu no Parque Ursulina de Andrade Mello, são cercadas, o que complica o escape e a fuga. A mortandade é acentuada e, em alguns incêndios, a taxa pode atingir 80%. Grande porção vai desaparecer. Além da mortandade, qual outra consequência temos? Estes animais mortos exerciam uma série de processos ecológicos importantes para as florestas, como os insetos e as aves que são dispersores de sementes e iriam atuar no processo de recuperação do ambiente”.

Fora os animais morrem carbonizados e intoxicados, há uma parcela entre os animais que consegue refugiar-se em perímetro urbano, são estes os capturados pelo Corpo de Bombeiros, sendo que alguns sofrem queimaduras tão sérias que jamais serão capazes de retornar à natureza. O impacto das queimadas em Minas Gerais, aliás, têm provocado um dano maior que em anos anteriores não apenas em termos de hectares destruídos pelas chamas, como também em relação à fauna: balanço da corporação de sexta-feira (9) indica aumento na quantidade de ocorrências relacionadas à captura de animais se comparados os meses de janeiro a setembro de 2019 e este ano. Constatou-se aumento em todos os meses, sendo especialmente maior o crescimento em setembro agora. Quanto o número total, nos nove primeiros meses de 2019, os militares atenderam a cerca de 4.200 ocorrências de captura de animais silvestreurbanas, indicador que subiu para 5.390 no mesmo período, porém neste ano.

Em Uberaba, o número de incêndios em vegetações é alarmante. A fauna também sofre com as chamas; nesta semana diversos animais de uma fazenda, localizada na via vicinal próxima à AMG 2555, ficaram feridos em forte incêndio. Outro caso que repercutiu foi o de um tamanduá-bandeira, que foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros com patas queimadas e sangrando próximo também à rodovia AMG-2585.

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