Acusação na Operação Mens Occulta relaciona grupo a mais de 2,2 toneladas de cocaína e aponta movimentações financeiras superiores a R$ 79 milhões
A operação contra o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro que levou a Polícia Federal a cumprir mandados em Uberaba resultou em denúncia contra 31 pessoas. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) acusa os investigados de integrar uma organização criminosa responsável pelo transporte e pela distribuição de entorpecentes entre estados e pela ocultação dos recursos obtidos com a atividade. As movimentações financeiras investigadas superaram R$ 79 milhões, segundo a acusação.
A denúncia foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Tupaciguara no âmbito da Operação Mens Occulta. Uberaba esteve entre os municípios alcançados pela ofensiva de 2 de junho, quando a PF mobilizou 230 policiais para cumprir 49 mandados de busca e apreensão e 25 de prisão preventiva em Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Na ocasião, a corporação apontou Uberlândia como sede do grupo investigado.
Segundo o MPMG, a investigação começou com a apreensão de 312 quilos de cocaína, em setembro de 2024, no Triângulo Mineiro. A partir desse flagrante, a Polícia Federal identificou conexões entre os investigados e dez grandes carregamentos interceptados entre 2024 e 2026. Os episódios reunidos na denúncia somam mais de 2,2 toneladas de cocaína, além de outras drogas, armas de fogo e dinheiro em espécie.
A acusação descreve uma estrutura com hierarquia e divisão de tarefas, na qual diferentes núcleos cuidavam da liderança, da logística dos carregamentos, do transporte, do armazenamento e da distribuição das drogas. Os entorpecentes saíam principalmente de Mato Grosso do Sul e Rondônia com destino a Minas Gerais e São Paulo, transportados em caminhões, carretas e veículos adaptados com compartimentos ocultos.
Outro braço do grupo seria responsável pela movimentação financeira e pela ocultação do patrimônio. Conforme o Ministério Público, o esquema utilizava empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e aquisição de bens em nome de outras pessoas, além de sucessivas operações financeiras para disfarçar a origem do dinheiro.
O MPMG pede à Justiça a manutenção das medidas cautelares decretadas durante a investigação e a perda dos bens apreendidos ou submetidos a restrição judicial. Também requer a fixação de uma reparação mínima de R$ 10 milhões pelos danos decorrentes das infrações penais, incluindo o dano moral coletivo atribuído à atuação da organização.
As acusações envolvem tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada denunciado. O comunicado do Ministério Público informa o pedido de recebimento da denúncia, mas não apresenta decisão judicial sobre sua aceitação.