Investigação aponta que crime foi planejado por cerca de um mês e motivado por promessa não cumprida de transferência de uma fazenda e um veículo
(Foto/Divulgação PCMG)
Duas mulheres, de 39 e 51 anos, foram presas nesta quarta-feira (8) sob acusação de dopar e afogar um homem de 51 anos em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. A ação foi realizada em conjunto pela Polícia Civil e pela Polícia Militar (PM).
Segundo a investigação, a mulher de 39 anos mantinha um relacionamento com a vítima e teria arquitetado o crime junto a uma amiga. O plano teria sido elaborado ao longo de cerca de um mês.
As duas foram indiciadas ainda no fim de junho por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima. Elas respondiam ao caso em liberdade, até que a Justiça decretou a prisão preventiva. A identidade das suspeitas não foi divulgada.
De acordo com a Polícia Civil, a vítima desapareceu em 26 de abril. O corpo foi encontrado aproximadamente um mês depois, em 27 de maio, dentro de um córrego na região dos Trinta Paus, na zona rural do município.
O laudo de necropsia apontou que o homem morreu por afogamento, mas também identificou uma grande quantidade de medicamento de uso controlado em seu organismo.
Conforme a apuração, a motivação do crime foi patrimonial. A namorada estaria insatisfeita porque a vítima não teria cumprido promessas relacionadas à transferência de uma fazenda e de um veículo.
Segundo a corporação, a mulher convenceu o companheiro a participar de um suposto piquenique em área rural. No local, o homem teria ingerido bebida alcoólica misturada ao medicamento clonazepam. Ao passar mal e se dirigir a um córrego, foi atacado.
O clonazepam é um medicamento de uso controlado da classe dos benzodiazepínicos, conforme o Ministério da Saúde. A substância atua no sistema nervoso central e é usada principalmente no tratamento de ansiedade, crises convulsivas e síndrome do pânico. Entre os efeitos estão sedação, relaxamento muscular e redução dos reflexos. No Brasil, é comercializada com nomes como Rivotril, Clopam e Clonazepax.
De acordo com o delegado regional de Patos de Minas, Luis Mauro Sampaio, a investigação teve início após a análise de mensagens enviadas pela vítima a um amigo pouco antes do desaparecimento. O conteúdo indicava que o homem havia combinado um encontro com a namorada em área rural.
Segundo o delegado, a segunda investigada teria participado da elaboração do plano e sugerido o uso do medicamento. Conforme relatou, a mulher teria dito ter tentado matar um ex-namorado com o mesmo remédio anteriormente, sem sucesso.
"Ela então instigou a amiga falando que ela deveria utilizar a mesma tática para poder, então, finalmente vir a matar a vítima", afirmou Sampaio.
As duas foram levadas ao presídio de Patos de Minas, onde permanecem à disposição da Justiça.