Em Uberaba, a ação batizada de Capitu realizou busca e apreensão em flat de Odinho; Ricardo Saud foi preso em seu apartamento em São Paulo
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Polícia Federal procura por Odo Adão Filho em Uberaba, que não foi encontrado em sua residência, que foi alvo de busca e apreensão
Operação Capitu, da Polícia Federal (PF), que prendeu na manhã de ontem o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS; o executivo da empresa, uberabense Ricardo Saud; o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (MDB), entre outros políticos, também teve como alvo o advogado Odo Adão Filho, conhecido como “Odinho”, em Uberaba. Ele foi braço direito do ex-secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais Narcio Rodrigues.
A PF cumpriu em Uberaba mandado de busca e apreensão em sua residência e apreendeu documentos de interesse da investigação. “Ele não estava em seu flat. Agora, os documentos serão analisados pela Polícia Federal, em Belo Horizonte”, comentou o delegado da PF André Gebrim Vieira. Além de documentos em papéis, conforme o delegado, alguns pendrives também foram apreendidos na casa de Odinho. “Foram feitas buscas no local e recolhidos estes elementos de prova. Em Uberaba foi só este mandado de busca”, concluiu.
A operação Capitu investiga suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura entre 2014 e 2015, quando Antônio Andrade e Neri Geller foram ministros na gestão de Dilma Rousseff (PT). Segundo informações, a PF cumpriu 63 mandados de busca e apreensão e 19 de prisão temporária em cinco estados: Minas Gerais (Belo Horizonte, Contagem, Nova Lima, Uberaba), São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso. Os mandados foram expedidos pelo TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) e mobilizaram 310 agentes da PF.
Ainda conforme informações da PF, a operação é baseada na delação de Lúcio Funaro (apontado como operador financeiro do MDB), que disse que havia um esquema de distribuição de suborno pela JBS para políticos do MDB e servidores dentro do Ministério da Agricultura, na gestão de Antônio Andrade. Em troca do dinheiro eram aprovadas medidas que beneficiariam os empresários.
O nome da operação Capitu é uma referência a personagem dissimulada do romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis. Isso porque empresários e funcionários da JBS que tinham fechado acordo de delação premiada teriam tentado desviar as investigações, cometendo obstrução de Justiça.