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O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizou operação “Segunda Pele”, que apura práticas de crimes de sonegação tributária e lavagem de capitais praticados por uma organização criminosa que atua no setor de couro. Ação foi realizada nesta quinta-feira (17) em diversas regiões de Minas Gerais.
As investigações tiveram início em 2019, na cidade de Santa Vitória, região Pontal do Triângulo Mineiro, após a operação “Boi de Papel” detectar movimentação suspeita. Segundo doutor Diego Espíndola Sanches, promotor do Gaeco de Santa Vitória, “o Fisco apurou a existência de um monstruoso esquema de engenharia tributária, em plena atividade, muito organizado, que possuía ramificações em outras atividades, em que havia uma circulação muito intensa de mercadorias por um lado e por outro lado um esquema de fabricação de créditos tributários, destinados a compensar os débitos fiscais. Ou seja, aquilo que as pessoas precisavam pagar de impostos”, aponta.
Para burlar o Fisco, a organização criminosa abria empresas em nome de “laranjas” que simulavam operações de vendas do couro dentro do estado e depois transferia a mercadoria para outro estado sonegando imposto. Segundo Gaeco, 13 pessoas foram detidas na operação “Segunda Pele” e houve o cumprimento de 47 mandados entre as regiões da Zona da Mata, Vale do Aço, Sul de Minas, Centro-Oeste, Norte, Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
Os alvos são empresários, coureiros atravessadores, contadores e “laranjas” que emprestaram os nomes para a abertura das empresas de fachada. Ademais, estão sendo cumpridos 34 (trinta e quatro) mandados de busca e apreensão em todo o Estado.
O esquema criminoso causou um enorme prejuízo para os cofres públicos de Minas Gerais. Apenas nos últimos cinco anos, estima-se que a sonegação supere R$ 62 milhões e poderá ultrapassar a cifra de R$ 100 milhões após auditoria do Fisco.
Segundo os responsáveis pela investigação, o Estado de Minas Gerais vem sendo lesado há anos por essa organização criminosa, a qual atua na clandestinidade e encontra-se voltada a criar estruturas falsas apenas para simular a aparente legalidade de suas atividades.
Participarame das diligências três promotores de Justiça, 75 servidores públicos da Receita Estadual, dois delegados da Polícia Civil, 32 policiais civis e 70 policiais militares, contando com o apoio operacional das regionais dos Gaecos de Uberlândia, Uberaba, Patos de Minas, Ipatinga, Montes Claros, Juiz de Fora e Divinópolis. A operação foi autorizada pelo Juízo da Comarca de Santa Vitória.
O nome da operação decorre do produto principal usado no esquema criminoso voltado à sonegação tributária, qual seja, o couro decorrente do abate de animais.