Sandro Neves
Rabecão do Instituto Médico Legal sai da penitenciária com os corpos dos presidiários mortos na madrugada
Dois detentos transferidos de Conceição das Alagoas para Uberaba foram encontrados mortos (enforcados) em duas celas distintas da penitenciária “Professor Aluízio Ignácio de Oliveira”. Dois suspeitos - de 25 e 27 anos - confessaram ter executado uma das vítimas, sendo que a motivação seria rixa entre facções criminosas. Os dois mortos seriam integrantes do Comando Vermelho e os suspeitos disseram à PM fazer parte do PCC. A Polícia Militar registrou a ocorrência como homicídio consumado e, desta forma, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em Uberaba vai investigar as duas mortes.
Por outro lado, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou, por meio de nota, que Carlos André da Silva, de 38 anos, e Gabriel Felipe Costa Silva, 22, utilizaram uma “tereza” (corda feita de lençóis) para tirar a própria vida. “A perícia da Polícia Civil esteve na unidade, coletando informações, e o caso será investigado criminalmente pela corporação. A direção do presídio instaurou um Procedimento Interno para apurar administrativamente o fato. Os presos que dividiam a cela com os dois também serão ouvidos", diz trecho da nota. Gabriel Felipe é natural de Conceição das Alagoas e Carlos André, de São Miguel dos Campos (AL).
Assassinatos teriam ocorrido entre zero hora e 2h desta segunda-feira
Pelo estado cadavérico dos corpos quando foram encontrados, a perícia técnica da Polícia Civil informou que a suspeita é que eles foram mortos entre meia-noite e 2h da madrugada de ontem. Ainda conforme o registro da PM, agente penitenciário visualizou um dos corpos [Carlos André] preso por um lençol no teto da cela 42, da ala D, por volta de 7h30, quando abria a ala e, em seguida, na cela 43 visualizou a mesma situação com outro detento [Gabriel Felipe].
Os dois suspeitos que confessaram o crime estavam na cela 42, onde aconteceu uma das mortes. Já na cela 43, de acordo com a PM, foi identificado um suspeito de 21 anos, mas ele negou que tenha cometido o crime. Assim como ele, os demais detentos disseram que dormiam na hora da morte da vítima, sendo que quando acordaram o corpo estava pendurado pelo lençol.
Os suspeitos que assumiram a autoria disseram à PM que Carlos André dizia ser do Comando Vermelho e, como são de outra facção rival, tiveram uma discussão com a vítima, sendo que tentaram resolver o problema. Mas, como a discussão não foi resolvida da melhor forma, falaram que resolveram do jeito deles, com a execução. Eles contaram ainda à PM que, como são membros do PCC, foram conversar com a vítima Carlos André, que se dizia do Comando Vermelho, para que a mesma "procurasse a melhora" [seguro].
Um dos suspeitos do crime, conforme registro da PM, antes das mortes estava na cela 52 e, durante banho de sol, provavelmente na última sexta-feira (11), realizou a troca de cela, ficando na 42. Assim como o outro suspeito - sendo que este não confessou o crime - estava na cela 52, antes das mortes, e foi para a cela 43, por motivos desconhecidos, onde estava a outra vítima.
O que diz a perícia da PC. De acordo com a perícia técnica da Polícia Civil, os pescoços das vítimas estavam com dois tipos de lesões, uma vertical e outra horizontal, o que aponta que foram estranguladas antes de ser penduradas pela corda. Além disso, havia hematomas pelos corpos, dando sinal de que ambos foram agredidos antes de ser mortos.
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