A dona de casa teria dado entrada na UPA São Benedito com Covid, mas foi transferida para o Hospital Regional, onde chegou inconsciente e aparentava trauma na região da face e com várias lesões
A Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) vai instaurar inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte da dona de casa Luzia Beatriz Bonifácio da Silva, de 49 anos. Ela deu entrada no dia 10 de novembro na UPA São Benedito, segundo parentes, sem marcas de agressão. No dia seguinte, a dona de casa foi transferida para o Hospital Regional, apresentando trauma na face e com vários hematomas.
Em nota à imprensa, a administração das UPAs nega as acusações de que a dona de casa tenha sido agredida na UPA do São Benedito.
O Hospital Regional, por meio de uma assistente social, acionou a Polícia Militar e lavrou um Registro de Eventos de Defesa Social (Reds) na noite dessa quinta-feira (25). O corpo da dona de casa passou pelo Instituto Médico Legal (IML) na tarde de ontem.
De acordo com o que foi apurado pela reportagem do Jornal da Manhã, a médica do Hospital Regional informou que a dona de casa Luzia Beatriz Bonifácio da Silva deu entrada “inconsciente e aparentava trauma na região da face e com as seguintes lesões: hematoma no olho esquerdo com perda dessa visão, edema cerebral, fratura na região da glabela, entubada, apresentando ainda cicatrizes pelo corpo e com provável morte cerebral”.
O marido da dona de casa, jardineiro, de 53 anos, e sua irmã, auxiliar de cozinha, de 41, também se pronunciaram como testemunhas. Eles disseram que no dia 10 prestaram socorro e conduziram a vítima à UPA São Benedito com complicações da Covid-19 e apresentaram prontuário nº 1969213 e ficha de atendimento de urgência, em que consta que a vítima estava com fraqueza, tosse, vômitos e cefaleia.
As lesões não são citadas e a Polícia Militar também não foi acionada na UPA São Benedito, como deve acontecer com pacientes com sinais de violência, principalmente quando a suspeita é de violência doméstica.
A irmã da dona de casa, aposentada, de 67 anos, também prestou informações na condição de testemunha. Ela afirma que sua irmã nunca se queixou de agressão física e que vivia muito bem com o marido. Conta que tomou conhecimento do ocorrido e foi pessoalmente visitá-la no hospital, quando notou que ela estava com hematoma no olho, orelha e se encontrava entubada e não respondia aos estímulos.
As testemunhas ainda afirmam que possuem filmagens da dona de casa Luzia Beatriz Bonifácio da Silva dando entrada na UPA São Benedito sem lesões aparentes e que, no dia seguinte, tomaram conhecimento de que a vítima foi transferida para o Hospital Regional com as graves e irreversíveis lesões descritas pela médica do HR.
Através de nota à imprensa, a Fundação de Ensino e Pesquisa de Uberaba (Funepu), gestora das UPAs, nega toda e qualquer agressão à dona de casa Luzia Beatriz Bonifácio da Silva nas dependências da UPA São Benedito e esclarece que ela deu entrada na Unidade São Benedito, às 16h20 do dia 10/11, relatando fraqueza, tosse, vômitos e dor de cabeça, com início há duas semanas e diagnóstico de Covid-19 há 11 dias.
Ainda segundo a nota, a paciente foi encaminhada para exames e orientada a permanecer na unidade, em observação. Em nova reavaliação, às 6h20 do dia 11, a paciente apresentou evolução do caso, com agravamento de doença pré-existente, além de ser submetida a uso de máscara de oxigênio por conta da queda de saturação.
Após nova intervenção clínica, e já incluída no Sistema de Regulação para transferência hospitalar, a paciente apresentou melhora no quadro, porém, horas depois, o quadro evoluiu com a presença de febre. A paciente foi transferida às 16h do mesmo dia 11 para o Hospital Regional.
A Funepu esclarece ainda que, apesar de o tratamento ter sido voltado para o agravamento dos sintomas da Covid-19, durante a evolução da paciente, foram observados lesões e hematomas na região dos olhos. Ao contrário do que está circulando nas redes sociais, a equipe de serviço social da UPA tentou contato com a família por inúmeras vezes, para relatar o fato, bem como informar sobre a transferência da paciente. Nenhuma das ligações foram retornadas.
Por fim, a Funepu rechaça qualquer insinuação irresponsável de que a paciente possa ter sito agredida na unidade ou ter sofrido alguma queda durante o período em que esteve sob cuidados médicos.