Investigação da Operação Bifronte indica que lideranças continuavam dando ordens de dentro de presídios; Justiça determinou transferência de dois investigados para o sistema federal

Forte armamento foi apreendido pela Polícia Federal durante a Operação Bidronte, com desdobramentos em Uberaba (Foto/Divulgação PF)
Mesmo preso na Penitenciária de Uberaba, Rodrigo Bueno, conhecido como “Moeda”, teria mantido o comando de uma organização investigada por tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Ele é apontado como uma das principais lideranças do grupo alvo da Operação Bifronte, deflagrada nesta quarta-feira (14), com mandados em cinco estados e autorização judicial para sequestrar até R$ 187 milhões em patrimônio.
Segundo informações da investigação divulgadas por O Tempo, Bueno e outro investigado, conhecido como “Campa”, preso no Rio Grande do Norte, continuavam emitindo ordens aos integrantes da organização e articulando remessas de drogas ao exterior. A apuração também aponta planos de ataques contra agentes de segurança e resgate de presos.
A capacidade de comunicação das lideranças dentro das unidades prisionais motivou a determinação de transferência dos dois para o sistema penitenciário federal. A medida foi confirmada pela Polícia Federal no comunicado sobre a operação.
Em nota enviada a O Tempo, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que Bueno estava na Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira desde 24 de maio de 2025. A pasta atribuiu à PF os esclarecimentos sobre a investigação e afirmou que não divulga informações sobre possíveis transferências por razões de segurança.
No caso do investigado preso no Rio Grande do Norte, a apuração indica que ele teria pago R$ 60 mil para que outro detento introduzisse um telefone na unidade prisional.
A atuação do grupo na cidade já havia sido confirmada pela Polícia Federal ao Jornal da Manhã. Conforme publicado pelo JM Online, os mandados em Minas Gerais alcançaram Uberaba, Uberlândia, Guaxupé e São João del-Rei. A corporação também informou que o esquema forneceria maconha ao Comando Vermelho e cocaína ao Primeiro Comando da Capital.
Segundo a Ficco/MG, a organização adquiria drogas provenientes da Bolívia e do Peru e atuava no transporte, na distribuição e na ocultação dos recursos obtidos com o tráfico.
A ofensiva reuniu 23 mandados de prisão, 20 de busca e apreensão e três de recolhimento domiciliar com monitoramento eletrônico em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Goiás, Santa Catarina e São Paulo. Também foram determinadas duas difusões vermelhas pela Interpol.
As medidas patrimoniais abrangem 69 pessoas físicas e jurídicas, 11 imóveis e uma aeronave. Os R$ 187 milhões representam o limite autorizado para o sequestro de bens e valores, e não a confirmação de que todo esse montante tenha sido localizado ou bloqueado.
Os investigados poderão responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada um.