A maior parte das vítimas são homens e possuem entre 60 e 70 anos de idade.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou dados referentes às principais violências sofridas pelos idosos no estado. A estatística abrange os registros de ocorrências de maus-tratos, lesão corporal, apropriação indébita e abandono de incapaz contra pessoas com idade igual ou superior a 60 anos. Em números totais, de janeiro a agosto de 2020, esses crimes apresentam queda em relação aos mesmos períodos dos dois últimos anos: 2.911 casos registrados em 2020; 3.248 em 2109; e 3.231 em 2018.
A análise dos dados separadamente demonstra que o crime de lesão corporal é o mais recorrente, tendo somado, até agosto de deste ano, 2.221 registros. São quase dez idosos agredidos por dia em Minas Gerais.
De acordo com a delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Pessoa com Deficiência e ao Idoso, Margareth Travessoni, esse cenário merece atenção. “Os números são alarmantes, ainda mais quando constatamos que os familiares figuram entre os principais agressores”, destaca.
Além disso, a delegada explica que a redução dos dados pode estar ligada ao isolamento social, gerando uma subnotificação. “Quanto à diminuição dos registros, o fato de as pessoas não saírem de suas residências para virem à delegacia denunciar pode ser o motivo da queda. Mas é bom lembrar que hoje existe a possibilidade de registrar por meio da Delegacia Virtual para que as pessoas possam gerar a ocorrência de suas casas”, observa.
Travessoni também chama atenção para o momento vivenciado. “Idosos são pessoas sensíveis, demandam atenção especialmente em períodos de confinamento. Sentem vontade de conversar e exprimir seus sentimentos. Muitas vezes, os familiares também estão sentindo-se mal com a pandemia, não têm a paciência e a delicadeza necessárias para tratar dos idosos”, pondera.
Minas Gerais registrou, em 2020, 80 casos de abandono de incapaz, 349 registros de apropriação indébita e 261 de maus-tratos com vítimas idosas, além das 2.221 ocorrências de lesão corporal. Os levantamentos também mostram que a maior parte das vítimas são homens e possuem entre 60 e 70 anos de idade.