POLÍCIA

Suspeita de matar bebê teria sido ajudada pela sogra, diz inquérito

Mulher escondia a gravidez da família e teve o parto em casa; o bebê foi colocado em uma sacola e encontrado já sem vida

Tulio Micheli
Publicado em 25/09/2019 às 22:21Atualizado em 18/12/2022 às 00:35
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Jairo Chagas

Titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, Cyro Moreira, disse que a mulher planejou interromper a gravidez

No dia 27 de outubro de 2018, no bairro Jardim Maracanã, uma jovem foi levada ao Hospital de Clínicas da UFTM, em Uberaba, com quadro de hemorragia. Após exames, constatou-se que o quadro clínico da jovem na ocasião era por conta de a mesma ter passado recentemente por um parto. 

Durante conversa, ela confessou que havia dado à luz uma criança em sua própria residência, e que o recém-nascido estava dentro de uma sacola ao lado de um guarda-roupas.

Após a confissão, o pai da jovem foi até a casa dela, encontrou a sacola com o bebê, que já estava sem vida, e levou até o hospital, onde foi confirmado o óbito. Parentes disseram que não sabiam que a jovem estava grávida.

No dia dos fatos, a jovem relatou que o bebê estava roxo e sem vida e que por isso ela cortou o cordão umbilical usando uma tesoura e colocou o corpo na sacola. Ela disse ainda que não contou para ninguém o que tinha ocorrido.

Nesta quarta-feira, o delegado Cyro Moreira, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa, concluiu o inquérito que apurava o caso. Durante as investigações, foi constatado que houve uma tentativa de limpar a cena do crime. Também foi apurado que o bebê nasceu com vida, respirou, possivelmente chorou, mas depois morreu. Ele tinha sinais de lesões no crânio e de asfixia na região do pulmão. De acordo com o delegado, a jovem sabia que estava grávida, mas escondeu da família.

“Ela não se preparou para o parto, não procurou assistência médica, não fez o pré-natal, não comprou roupinhas, como qualquer gestante faria; ou seja, indicando que ela não queria a gravidez. Então, ela já estava planejando o fim para esta gestação. Alegou que já tinha um filho, que estava com 11 meses na época, estava sentindo o marido muito distante, problemas familiares e financeiros e estava depressiva. Ela disse que não tinha condições de ter mais um filho”, afirmou Cyro.

O delegado disse ainda que, durante as investigações, também foi constatado que a sogra da jovem, de 57 anos, ajudou no parto.

“Apuramos que a avó paterna participou do parto porque ela é técnica de enfermagem. Outro indício encontrado foi uma caixa de luva cirúrgica aberta na sala da casa delas. Depois, há uma discrepância entre os depoimentos dela [da avó paterna], da mãe, e de outras pessoas envolvidas. Tudo levou a crer, para a Polícia Civil, que houve participação da avó paterna tanto no parto com a posterior morte do bebê, quanto na ocultação de cadáver”, explicou Moreira. 

Concluído, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A jovem e a sogra dela vão responder em liberdade por homicídio e ocultação de cadáver.

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