Segundo o acusado, preso no domingo, ao cobrar o ex-patrão, este entrou na casa da fazenda para buscar o dinheiro e saiu com uma espingarda, quando se enfrentaram
Trabalhador rural, de 33 anos, foi preso em flagrante após confessar ter agredido e matado seu ex-patrão, o fazendeiro Mauro Alberto Maluf Ferreira, de 72. O crime aconteceu na Fazenda Mauro Maluf & Filhos, na rua Capitão Macedo, região central de Veríssimo (MG), a cerca de 45 quilômetros de Uberaba, no fim da tarde de sábado (12), mas o corpo só foi encontrado às 8h de domingo (13). O motivo estaria relacionado a um desacordo entre patrão e empregado.
No plantão da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil/5ºDPC em Uberaba, o trabalhador rural foi autuado em flagrante no crime de homicídio. Em seguida, foi encaminhado à Penitenciária Professor Aluízio Ignácio de Oliveira, onde se encontra à disposição do Poder Judiciário.
De acordo com o que foi apurado pelo Jornal da Manhã, testemunhas encontraram o fazendeiro deitado ao solo na parte externa da casa sede da fazenda, sem vida e acionaram o 190 da Polícia Militar.
Militares da 191ª Companhia do 67ºBPM/5ªRPM lotados em Veríssimo foram para a fazenda e se depararam com a porteira de entrada trancada com corrente e cadeado.
No interior da propriedade se depararam com o corpo do fazendeiro sobre o gramado, com marcas evidentes de violência. Foram encontrados uma espingarda ao lado do cadáver, outra na entrada da cozinha e um facão próximo à escada de acesso à residência.
O local foi isolado e a Perícia Técnica da 1ªDRPC/5ºDPC em Uberaba foi acionada. O perito criminal recolheu o facão e as duas espingardas tipo escopeta, de calibres 20 e 24. Foi constatado que a morte foi por golpe de objeto contundente. Não foram usados o facão nem as armas de fogo, pois estavam descarregadas e não apresentavam cheiro de pólvora recente.
Policiais militares de Veríssimo saíram em diligências e descobriram que o fazendeiro Mauro Alberto Maluf Ferreira teria entrado em desentendimento com o ex-funcionário, o trabalhador rural, para quem a vítima estaria devendo dinheiro.
O trabalhador rural foi encontrado na casa onde estaria residindo e relatou que trabalhou para a vítima até a noite do dia 10 de fevereiro, quando o fazendeiro chegou à fazenda e disse: “Sai daqui da fazenda”. Ele ressalta que apanhou sua esposa e seus dois filhos e saíram da fazenda, mas o fazendeiro ainda teria que lhe pagar R$630,00. Desse valor, R$430,00 seriam o restante do pagamento referente aos seus serviços e R$200,00, relacionados a faxinas feitas por sua esposa.
A princípio, o trabalhador rural negou envolvimento na agressão e morte do fazendeiro e apresentou uma série de álibis, que foram descartados diante de depoimentos de testemunhas.
Por fim, o trabalhador rural confessou que, após as 18h de sábado (12), foi até a fazenda, juntamente com sua esposa, com o intuito de receber seu pagamento. Ao chegar, viu que o fazendeiro estava no galinheiro, momento em que cobrou seu dinheiro. O ex-patrão teria dito que iria pegar o dinheiro e entrou na casa sede. Porém, teria retornado com uma espingarda de calibre 20 nas mãos e dit “Está aqui seu pagamento”.
Ainda de acordo com o que foi apurado, o trabalhador rural disse que entrou em luta corporal com o fazendeiro e conseguiu desarmá-lo. Em seguida, desferiu cerca de quatro golpes com a espingarda no ex-patrão, vindo a quebrar o armamento.
Ele conta, também, que chegou a pegar o facão para desferir golpes no fazendeiro, mas desistiu ao perceber que o ex-patrão estava desacordado e não oferecia mais risco.
A dona de casa, de 36 anos, esposa do trabalhador rural, relatou que foi com o marido até a fazenda e conversaram com o ex-patrão sobre o pagamento devido. O fazendeiro teria dito que ia buscar o dinheiro e entrou na casa sede, retornando em seguida com a espingarda nas mãos. Ela teria dit “Não precisa disso, senhor Mauro”.
Ainda segundo a mulher, a vítima teria mandado ela calar a boca e sair da fazenda. A dona de casa afirma que correu para o carro e não viu mais nada e que, depois, seu marido chegou e disse: “Consegui tirar a arma dele, ele está desmaiado, vamos embora”.
Antes de ser levado para a Delegacia de Plantão em Uberaba, os militares passaram com o trabalhador rural no posto de saúde em Veríssimo, onde foi constatado um arranhão longitudinal na altura do abdome do suspeito. Ele afirmou que a espingarda teria raspado em sua barriga no momento da luta com a vítima.