Família diz que estudante foi retirada à força, e instituição afirma que houve tentativa de contenção
Uma mãe registrou um boletim de ocorrência após a filha, estudante maior de idade de uma escola particular de Uberaba, alegar ter sido segurada com força excessiva por um coordenador durante um episódio ocorrido dentro da instituição. O caso foi apresentado no programa Hélio Jr., da Rádio JM, e envolve versões diferentes sobre o que aconteceu. A escola afirma que a estudante foi comunicada sobre uma transferência compulsória e se recusou a deixar o ambiente, enquanto a família afirma que ela saiu da sala e procurou ajuda de uma professora.
Segundo o boletim de ocorrência, a mãe relatou que um supervisor teria segurado a filha com força excessiva, provocado uma lesão e que, depois, a estudante teria sido retirada da escola. A responsável também informou que estava em atrito com funcionários da instituição por causa do episódio.
A família contesta a versão apresentada pela escola aos pais e afirma que a estudante não teria resistido a deixar a sala. Segundo a mãe, a filha teria saído do local e procurado acolhimento da professora após sentir medo durante o episódio.
Estudantes do 2º ano do Ensino Médio encaminharam uma manifestação à direção da escola após o ocorrido. No documento, eles afirmam que não questionam a necessidade de intervenção diante de eventual comportamento inadequado, mas contestam a forma como a situação teria sido conduzida.
Segundo o relato dos alunos, a estudante teria retornado à sala assustada e pedido ajuda à professora. Na sequência, conforme a manifestação, o coordenador teria entrado no local e retirado a jovem com uso de força física considerado excessivo pelos estudantes. “O questionamento desta família não está, portanto, na necessidade da intervenção. Está na forma brutal como essa intervenção foi conduzida por um homem e uma aluna miudinha”, afirma a nota.
Os estudantes afirmam ainda que cerca de 50 pessoas teriam presenciado o episódio e relatam preocupação com os efeitos da situação sobre a comunidade escolar. “Os alunos não ouviram uma história. Eles estavam lá. Eles viram, eles sentiram, eles vivenciaram e estão chocados”, ressalta.
Em nota enviada aos pais, a instituição afirma que o episódio envolveu uma estudante maior de idade e uma colaboradora. Segundo o comunicado, a estudante teria dirigido ofensas verbais à funcionária e foi comunicada sobre a aplicação de uma transferência compulsória, prevista em contrato e relacionada ao descumprimento de um Termo de Compromisso firmado anteriormente.
A escola afirma que, após ser comunicada da transferência, a estudante teria insistido em retornar à sala e se recusado a deixar o ambiente. “Nesse momento, um profissional da instituição tentou contê-la”, afirma.
A instituição também afirma que adotou as medidas internas cabíveis e que tem conhecimento do boletim de ocorrência. “A instituição tem ciência do registro de ocorrência realizado e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos e fornecer as informações que forem formalmente solicitadas”, ressalta.
A mãe contesta a versão da escola e afirma que a filha não teria resistido a sair da sala. A família também nega que a estudante tenha dirigido palavras de baixo calão à funcionária. Em manifestação, a mãe afirmou que não pretende justificar eventual comportamento inadequado da filha, mas considera que isso não justificaria o que classifica como agressão. “Se minha filha estiver errada, eu serei a primeira a corrigi-la. Contudo, nada justifica a agressão”, pontua.
A escola informou que, por respeito à privacidade, à honra e à imagem das pessoas envolvidas, não divulgará nomes, imagens ou informações pessoais relacionadas ao caso. A reportagem também preserva a identidade da estudante, dos funcionários e da instituição.