POLÍCIA

Uberabense alvo de buscas seria "laranja" de investigado no Rio

Luiz Gustavo Rezende
Publicado em 15/05/2020 às 19:48Atualizado em 18/12/2022 às 06:23
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Foto/Reprodução 

Juiz federal Marcelo Bretas cita transações suspeitas de compra e venda da fazenda Alvorada, no Pará, por mais de R$11 milhões

Uberabense de 43 anos, alvo de busca e apreensão durante a operação “Favorito”, em desdobramento da Lava-Jato, é investigado sob suspeita de ser “laranja" do empresário Mário Peixoto. Reportagem do Jornal da Manhã teve acesso a documento emitido pelo juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

O documento foi expedido no dia 7 deste mês e inicia a menção sobre o uberabense na folha sete, onde atesta: “Análise do material coletado evidencia transações suspeitas de compra e venda da fazenda Alvorada, aparentemente utilizada para lavagem de dinheiro". Documentos apontam que a fazenda é de Mário Peixoto e duas empresas que compõem o quadro societário do uberabense, “sobre o qual surgiram fortes suspeitas de ter auxiliado na ocultação/dissimulação de patrimônio da organização criminosa (Orcrim)”.

A fazenda Alvorada está localizada no município de Ipixuna, no Pará, e foi adquirida por R$11,2 milhões. Segundo Bretas, a propriedade foi comprada pela Orcrim mediante cinco pagamentos. Uma parcela de R$8,9 milhões, em cédula de crédito do banco Amazônia, e mais quatro pagamentos em nome de terceiros consolidaram a aquisição. Nem um dos pagamentos partiu do uberabense, que figura como sócio.

Uberaba. O documento aponta que o uberabense é investigado em outras duas aquisições de propriedades rurais. A primeira fazenda citada é a “Estância Guaíba”, localizada em Uberaba, que foi adquirida pela Coopersult, empresa do grupo de Mário Peixoto, e registrada em nome da mãe do uberabense alvo da busca e apreensão. Trecho que menciona suspeição relata:

“Segundo dados da autoridade policial, o uberabense conferiu a Mário Peixoto procuração com amplos poderes para negociá-la. O que sugere uma simulação no negócio jurídico com a provável intenção de ocultar capital”.

Última fazenda mencionada é a “Seis Irmãos”, localizada em Carutapera, no Maranhão. Ela foi adquirida por duas empresas em nome do uberabense, com diferença de R$1,5 milhão entre o valor negociado e o valor declarado na escritura pública.

A força-tarefa da Lava-Jato do Rio de Janeiro rastreou uma troca de e-mails entre o uberabense e uma pessoa da Orcrim no dia 20 de abril. Marcelo Bretas, então, disse que “a relação é contemporânea e capaz de indicar relação do uberabense com o grupo investigado”.

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