Equipamento do Corpo de Bombeiros de Minas identifica batimentos sob escombros a até 30 metros de profundidade
Equipamento consegue detectar se há batimentos cardíacos a até 30 metros dentro dos escombros (Foto/Divulgação)
Um equipamento considerado estratégico para operações de resgate em grandes desastres foi utilizado pelos bombeiros brasileiros durante as buscas por sobreviventes dos terremotos que atingiram a Venezuela. O detector de vida levado para a missão é o único desse tipo em operação no Brasil e pertence ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).
O aparelho integrou a estrutura levada pela força-tarefa brasileira, que reuniu militares de Minas Gerais, São Paulo e Paraná para atuar nas áreas mais afetadas pelos tremores de magnitude 7,2 e 7,5 registrados em junho, especialmente na região de La Guaira.
Em entrevista ao Pingo do J, da Rádio JM, o tenente-coronel BM Josias Soares de Freitas Júnior, comandante da equipe mineira, explicou que o equipamento funciona como uma espécie de “sonar”, capaz de identificar sinais de vida mesmo quando a vítima está soterrada sob toneladas de concreto. “O detector de vida analisa se tem alguém com vida dentro dos escombros. Ele consegue pegar em torno de 25 a 30 metros dentro dos escombros. Se tiver batimento cardíaco, mesmo que a pessoa esteja imóvel, ele consegue identificar”, explica.
Segundo o comandante, a tecnologia permite que os bombeiros tenham mais precisão durante as buscas, indicando áreas onde há maior possibilidade de encontrar sobreviventes e reduzindo o tempo de atuação em estruturas instáveis. “Ele aponta a tantos metros, tem uma pessoa com vida. Alguma coisa com vida está lá”, afirma.
Durante a missão na Venezuela, o detector foi utilizado em uma operação que mobilizou equipes internacionais por quase 40 horas na tentativa de retirar uma vítima dos escombros.
Segundo Josias, o equipamento identificou sinais de vida no local onde estava o pai de uma moradora chamada Paola. As equipes avançaram pelos destroços com apoio do detector e dos cães de busca, mas a vítima não resistiu antes de ser localizada. “Nós ficamos quase 40 horas nesse local. Estávamos acompanhando a pessoa com vida, com o mínimo de batimentos, tentando avançar”, relata.
O comandante explicou que a operação reuniu equipes de diferentes países, como Brasil, França, Equador e El Salvador, mas que as condições encontradas dificultaram o avanço dos trabalhos. “Às vezes você se depara com um pilar tão gigante que, em vez de dar duas horas de trabalho, vai dar dois dias. A gente tem que procurar uma alternativa”, disse.
Além do detector de vida, a equipe brasileira utilizou cães especializados em busca e salvamento, como o cão Santo, que acompanhou os militares de Uberaba durante a operação.
De acordo com o tenente-coronel, a tecnologia é uma ferramenta complementar ao trabalho dos bombeiros e permite concentrar esforços nos pontos com maior possibilidade de localização de vítimas.
A missão brasileira levou cerca de 16 toneladas de equipamentos para a Venezuela e realizou mais de 90 intervenções nas áreas atingidas pelos terremotos.
Cidades ficaram destruídas devido ao terremoto (Foto/Divulgação)