Para especialistas, a falta de autonomia econômica é um dos grandes empecilhos para que as mulheres consigam se libertar dos agressores
A cada hora, 17 mulheres são vítimas do mesmo crime em Minas Gerais. Só neste ano, por dia, cerca de 404 mulheres sofreram violência doméstica. Os dados refletem o quadro até novembro, segundo levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
“A violência doméstica é um fenômeno epidêmico. Apesar das políticas públicas e do enfrentamento, a gente não tem visto resultados efetivos na diminuição das agressões. A nossa cultura autoriza os homens a exercerem sua violência sobre as mulheres”, explica a professora e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher (Nepem), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marlize Matos.
Uma realidade rodeada pelo medo faz com que os casos de violência doméstica ainda sejam subnotificados. “Cerca de 90% das mulheres não denunciam as agressões, principalmente as psicológicas, sexuais e morais. Quem vai à delegacia porque o cara jogou a comida dela no lixo? O problema é que o ciclo da violência começa com essas humilhações. Quando um homem chega a matar a mulher, significa que ela já passou por todo tipo de agressão em casa”, alerta Marlize.
Autonomia financeira é saída contra agressão
Para especialistas, a falta de autonomia econômica é um dos grandes empecilhos para que as mulheres consigam se libertar dos agressores. “Atualmente muitas mulheres estão ganhando menos que os homens. Elas engravidam e saem do mercado. Essa falta de autonomia as coloca na condição de subalterna”, explica a professora da UFMG Marlize Matos.
Maior parte dos agressores repete erro
A cultura de poder do homem sobre as mulheres é um dos principais gargalos para diminuir a violência doméstica. A delegada Ana Paula Balbino, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Belo Horizonte, no Barro Preto, na região Centro-Sul da capital, conta que a maioria dos agressores é reincidente.
“Ele agride uma mulher e, quando se afasta dela, passa a agredir outra mulher e vai fazendo mais vítimas. É importante um trabalho de conscientização, não só com as mulheres, mas com os homens também. (É preciso) trabalhar com adolescentes e jovens para evitar esses casos”, considera.
*Com informações O Tempo