Ao discursar ontem no evento que tratou da renegociação da dívida dos Estados, Anderson Adauto não poupou o ex-governador
Ao discursar ontem no evento que tratou da renegociação da dívida pública dos Estados, o prefeito Anderson Adauto não poupou o ex-governador e hoje senador Aécio Neves (PSDB), que, segundo ele, faltou com a verdade aos mineiros. Segundo AA, o tucano passou oito anos do seu Governo dizendo que fez choque de gestão e chegou ao déficit zero, sem fazer menção ao endividamento.
A declaração do prefeito, em plena mesa formada por deputados da base aliada de Aécio e, portanto, do atual Governo Anastasia, veio acompanhada da sugestão para que o senador não conduza a discussão em nome da bancada mineira no Senado. Usando de uma expressão tipicamente interiorana, Anderson disse que o tucano ficaria “avexado” para tocar a demanda.
AA também trouxe números da dívida, os quais lhe foram passados pela bancada do PMDB na Alemg, dando conta de que na gestão Eduardo Azeredo a dívida de MG era de R$14 bilhões e na administração seguinte, comandada por Itamar Franco, chegou a R$28 bi, o que levou o então governador a decretar a moratória. “Infelizmente ele não teve apoio nem da classe política”, disse AA, para quem essa não seria a solução hoje, porque há outro grupo político no Governo Federal – àquela época a Presidência era ocupada por Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Há clima para conversar com a Dilma [presidente]", ponderou o prefeito.
Já o presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputado Dinis Pinheiro (PSDB), reagiu à declaração, observando que são situações distintas, porque déficit zero é o mesmo que gastar dentro daquilo que se arrecada.
Seu colega de parlamento, que preside a Comissão Especial para renegociação da dívida, Adelmo Carneiro Leão (PT), enfatizou que se hoje o comprometimento dos Estados com o pagamento do débito gira em torno de 13% das receitas, chegará a 40%, algo insuportável. “Precisamos amenizar o sofrimento dos Estados”, defendeu Adelmo no evento realizado na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg/Regional Vale do Rio Grande), onde se reuniram políticos e lideranças classistas.
Para o anfitrião, Altamir Roso, a dívida pública prejudica o setor produtivo e a população, pois Minas deixa de investir para arcar com o débito.