Após a leitura das denúncias e a formação da Comissão Processante, o vereador Jorge Ferreira (PMN) pediu à Mesa Diretora para se pronunciar na tribuna da Casa. Visivelmente nervoso e um tanto despreparado para o momento, saiu do foco das acusações várias vezes, atacando o ex-vereador Paulo Pires (PSDB), um diretor de jornal, que na verdade é colunista, e ainda o vereador Luiz Dutra (PDT), a imprensa e os servidores denunciantes.
O vereador acusou Paulo Pires e seu irmão Flávio de o conduzirem em carro do Legislativo até Belo Horizonte, após as eleições no ano passado, para se reunir com a Executiva do PSDB. Por intermédio do ex-vereador, conheceu uma das denunciantes, que trabalhava com criações de documentos no gabinete de Pires.
Negou as acusações de assédio, alegando ter recebido um telefonema do presidente Lourival dos Santos (PCdoB), afirmando ser necessário remanejar a servidora para outra atividade com salário inferior ao que estava recebendo, mas que conduzia com as atividades desenvolvidas. O telefonema a 1h da madrugada teria sido para convencê-la a se inscrever no processo seletivo da CMU. Posteriormente, optou por demiti-la. “Não tenho rabo preso. Eu sou noivo e no Brasil as pessoas solteiras são tachadas de promíscuas”, afirmou Jorge Ferreira. A noiva do vereador estava sentada na primeira fila, mas um detalhe não passou despercebido. Uma senhora que estava ao lado tirou rapidamente a aliança do dedo, passando a ela, que, com velocidade relâmpago, colocou-a na mão direita.
Sem qualquer justificativa que ligasse o fato à denúncia, Jorge Ferreira disse ter recebido um telefonema do colunista Marco Antônio de Figueiredo, pedindo-lhe emprego, supostamente informado por Lerin (PSB). O colunista já havia se retirado do plenário e não foi encontrado para comentar o assunto. Alfinetou o radialista Gleibe Terra Júnior, que o denunciou em programa de rádio que seria nomeado pelo vereador, tendo, contudo, que devolver parte do salário. “Ele não tem condições de falar de mim.”
Quanto ao assessor exonerado de seu gabinete, Jorge Ferreira disse tê-lo contratado por ser técnico de futebol, para treinar crianças na periferia. Transcorridos dois meses, nenhuma atividade foi desempenhada, tendo o PMN optado por demiti-lo.
A metralhadora giratória do vereador acusado atingiu o presidente da recém-criada comissão processante, Luiz Dutra, em razão de a filha namorar o presidente do PSL, Thiago da Silva. “Ele é meu suplente no PSL e, por ser genro de Dutra, terá todos os pedidos atendidos junto à comissão”, afirmou. Dutra e Thiago não quiseram comentar o fato, dizendo que as afirmações não têm qualquer procedência.
Desmentiu o assédio à jornalista praticado na Estação de Tratamento de Esgoto, afirmando que sua insatisfação surgiu em fevereiro, quando solicitou a cobertura de uma Festa de Reis, que, segundo ele, teria sido preterida pela cobertura da escolha da Rainha do Carnaval 2009. Novamente, citou o ex-vereador Paulo Pires, cassado em dezembro do ano passado por ter sentença criminal transitada em julgado.
O Jornal da Manhã fez diversas tentativas, mas não conseguiu localizar o vereador Paulo Pires.