Implantação do cartão corporativo para viagens em pleno período eleitoral levanta dúvidas em relação ao uso do dinheiro público. Entre oposição e base aliada, o entendimento é o de ser melhor esperar o término das eleições para distribuir os cartões.
O vereador Marcelo Machado Borges, o Borjão, (PMDB), declara-se totalmente contrário ao uso dos cartões corporativos no setor público. Além disso, ele afirma que a medida surgiu na hora errada, pois não existem mecanismos para controlar se os recursos são para viagens administrativas ou eleitorais. “Essa situação só irá gerar escândalo para Uberaba. A Câmara precisa tomar atitudes”, manifesta.
O presidente do PSDB, Luiz Cláudio Campos, analisa que a ferramenta facilita o trâmite burocrático. Entretanto, ele argumenta que essas facilidades dão estímulo maior para viagens, às vezes sem interesse público. De acordo com ele, a transparência na divulgação dos dados é essencial para fiscalizar o uso correto dos recursos. Campos sugere ainda à PMU aguardar até o fim do ano, caso haja interesse na proposta: “Seria interessante adotar a medida após o período eleitoral para gerar menos polêmica e não haver questionamentos. Se já viveu sem isso até agora, pode esperar três meses”.
Já o presidente do DEM, Antonio Alberto Staciarinni, acha estranha a decisão ter sido tomada justamente no momento em que o prefeito Anderson Adauto (PMDB) confirma o trabalho na coordenação da campanha a governador de Hélio Costa (PMDB). Por isso, ele também cobra transparência sobre a distribuição dos cartões e os relatórios de viagem. “Precisamos saber quem e como vai usar, porque é dinheiro público. Por que está sendo criado agora e não há mais tempo? Quem tem interesse nisso? A pergunta fica no ar”, questiona.