O ex-ministro e ex-prefeito Anderson Adauto (PRB) reagiu com desconfiança ao anúncio do governador Antonio Anastasia (PSDB)
O ex-ministro e ex-prefeito Anderson Adauto (PRB) reagiu com desconfiança ao anúncio do governador Antonio Anastasia (PSDB) de construir um gasoduto saindo de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para abastecer a planta de amônia a ser erguida em Uberaba. O duto irá percorrer 457 quilômetros entre as duas cidades e sua implantação demandará um investimento estimado em R$1,8 bilhão.
“Com todo respeito ao governador, mas, na minha avaliação, um anúncio desses deveria ser precedido de amplo debate com os uberabenses. Não acho correto anunciar no próprio aeroporto sem se submeter a questionamentos da comunidade. Não aceito essa situação. Se ele acha que a cidade é de bobo, não é”, disse AA, que tachou a medida como “a pior notícia de fim de ano que poderia acontecer”.
As desconfianças de Anderson partem do princípio de que o governador deverá se desincompatibilizar do cargo de chefe do Executivo mineiro em março de 2014 para disputar uma cadeira ao Senado, nas eleições que serão realizadas neste mesmo ano. Para ele, quem está saindo em março não tem o direito de tomar uma decisão para quem efetivamente fará o projeto acontecer em 2016, “ou seja, dois anos depois, numa situação muito mais cara e mudando toda a regra do jogo estabelecida até agora”.
Anderson defende que as forças vivas da cidade, as quais diz ver representadas através do Grupo dos 9 (G-9), que reúne entidades classistas, e as lideranças políticas, “independente de partidos”, façam um amplo debate sobre este tema antes do Natal. “Eu não vou ficar fora disso, sou parte, iniciei isto, sou a pessoa em Uberaba que detém o maior número de informações sobre o assunto e não serei omisso”, adianta AA, que quer reunir na cidade representantes dos governos federal, estadual e municipal, Cemig, Gasmig e Petrobras, entre outros, “para que digam o porquê dessa mudança de última hora”.
Ele reforça que é preciso saber os motivos que levaram o Estado a abandonar uma tese [duto de distribuição, com um trecho de 91km de Ribeirão Preto a Uberaba, ao custo de R$520 milhões e uma capacidade para 1,5 milhão de metros cúbicos de gás] e anunciar outra de quase 500 quilômetros em uma região difícil de ser transposta. À justificativa do governo de que o duto mineiro trará um novo eixo de desenvolvimento, Anderson reagiu, perguntando se só agora, depois de 12 anos à frente do Executivo mineiro, os tucanos pensaram nisso.
“Prefiro um passarinho na mão [duto de distribuição] a dois voando. O resto, com todo respeito, mas o governador está fazendo política se preparando para a campanha ao Senado e nós, de Uberaba, devemos dizer um sonoro não para ele”, conclama Anderson, que chega a Uberaba no início da semana. Ainda segundo ele, o prefeito deveria ter sido o primeiro a ir contra, mas “seu lado bonzinho, entre aspas, não sabe discordar do governador”.
Anderson pondera, contudo, que só irá parar de questionar se as presidentes da República, Dilma Rousseff (PT), e da Petrobras, Graça Foster, que são as grandes fiadoras do projeto, disserem que é por esse caminho que o gás chegará a Uberaba para abastecer a planta de amônia.