A aquisição de doses da vacina contra a Covid-19 pela rede privada continua sendo trabalhada pela Associação Brasileira das Clínicas de Vacina (ABCVAC). O presidente da associação, Geraldo Barbosa, é membro da comitiva que visitou as instalações da Bharat Biotech, na Índia, na semana passada. Durante a viagem foi discutida as possibilidades de exportação da Covaxin para o Brasil e segundo Barbosa: “findado o processo de registro definitivo da Covaxin no Brasil, as clínicas particulares poderão adquirir doses para ofertar ao seu público”.
O executivo e a equipe da representante da Bharat Brasil – foram recebidos nos dias 7 e 8 de janeiro no Genome Valley, distrito industrial de alta tecnologia e inovação em Hyderabad, na Índia. Barbosa fez uma apresentação à diretoria da fabricante sobre o potencial do mercado brasileiro e sobre a necessidade de vacinar o contingente da população que está ativo no mercado de trabalho, passo fundamental para vencer a pandemia e retomar plenamente a atividade econômica.
Há uma resposta positiva do mercado corporativo que têm procurado a ABCVAC e as clínicas, para subsidiar a imunização de seus colaboradores. O executivo ressalta que o que for adquirido não vai interferir nas negociações com o sistema público. “Se essas vacinas não vierem para o mercado privado brasileiro, não virão nem para o Brasil. Vão para outro país”, reforça. “A aquisição depende do fim dos trâmites legais junto aos órgãos reguladores brasileiros, fabricante e distribuidora/importadora.
“A representante da Bharat Brasil, responsável pela negociação com o setor privado, tem tido papel fundamental e o processo está muito bem encaminhado, não só para a vacina contra a Covid 19 agora, mas também a longo prazo”, afirma Barbosa.
Conforme divulgado pela Bharat Biotech, os ensaios clínicos de Fase 3 da Covaxin começaram em meados de novembro e estão, atualmente, em andamento em cerca de 26 mil voluntários em toda a Índia, sendo avaliada em aproximadamente mil indivíduos em ensaios clínicos nas Fases 1 e 2, com resultados promissores de segurança e resposta imunológica, que receberam aceitação por revistas científicas internacionais.
A ABCVAC reforça que a vacinação no mercado privado só pode acontecer através das clínicas regulamentadas, que são altamente qualificadas, especializadas e atendem a legislação sanitária para o correto armazenamento, transporte, aplicação e relacionamento com o ministério da saúde, que inclui o acompanhamento de eventuais efeitos adversos e notificação de doses aplicadas.
Todas as negociações são desenvolvidas dentro de um ambiente privado e cobertas por Termos de Confidencialidade e todas as estratégias e condições comerciais são discutidas exclusivamente dentro do ambiente legítimo, e cobertas por contratos entre as partes, envolvendo apenas clientes e fornecedores. A ABCVAC não comentará nenhum documento que esteja fora do ambiente formal das negociações.
Uberaba
Como já havia sido noticiado pelo Jornal da Manhã, as clínicas de Uberaba já se mobilizam para conseguir obter a vacina na rede privada. A reportagem entrou em contato com uma clínica. Em uma unidade da avenida Santos Dumont, a enfermeira responsável técnica Leidejane Pereira, explicou que a procura pela vacina continua, contudo eles ainda aguardam mais atualizações sobre a questão.
“Está havendo negociações, mas sem previsão de data na cidade, sem previsão de valor, essas questões ainda estão em haver”. Ainda conforme Leidejane, a clínica não está reservando a vacina, apenas anotando o número dos interessados para estar repassando as informações conforme elas forem chegando.
Em outra clínica, localizada na avenida Apolônio Sales, ainda não houve atualização no procedimento e a empresa segue aguardando a liberação do registro da vacina.