A Câmara Municipal mostrou ontem estar em grande descompasso político com as denúncias feitas pelo vereador do PMDB, Marcelo Machado Borges, o “Borjão”.
Se já estava dividida na eleição de Lourival dos Santos (PCdoB) para a presidência da Casa e durante a formação do Colégio de Líderes, a Câmara Municipal mostrou ontem estar em grande descompasso político com as denúncias feitas pelo vereador do PMDB, Marcelo Machado Borges, o “Borjão”.
Em plenário, o peemedebista afirmou que o pedido de vista ao projeto de adequação do orçamento da Prefeitura era, em verdade, uma retaliação política de parlamentares interessados em negociar cargos com o Executivo.
Ao Jornal da Manhã, Borjão afirmou que a intenção foi claramente exposta durante a reunião reservada na sala da presidência. A estratégia era “empurrar” o projeto para pressionar o governo a atender a alguns pedidos.
Sem declinar nomes, o vereador disse ter preferido sair da reunião por ser contrário à negociata. Reação em cadeia de outros parlamentares que justificaram que tinham dúvidas e não deram como certa a aprovação. “Todos que pediram vista votaram a favor, portanto, a incoerência continua”, disse.
Procurado pela reportagem, o líder governista Cléber Cabeludo (PMDB) não desmentiu as afirmações feitas pelo vereador Marcelo Borjão. “Ele se posicionou fundamentado nas observações da reunião”, disse. Entretanto, Cléber preferiu ser discreto e não polemizar o assunto, para que os trabalhos sejam conduzidos dentro do consenso político.
O democrata Itamar Ribeiro se ausentou antes do término da reunião e não foi localizado posteriormente para comentar o assunto.
O presidente Lourival dos Santos (PCdoB) preferiu não fazer comentários sobre a polêmica do plenário. “O pedido de vista a um projeto está previsto no Regimento Interno, constituindo um direito do vereador. Quanto à alegação em foco, é pertinente aos vereadores envolvidos na discussão da matéria e, portanto, não me cabe julgar.”