Usando nariz de palhaço, apitos e faixas, manifestantes tumultuaram a sessão, mas não conseguiram a aprovação para o impeachment do prefeito AA...
“Chega de Escândalo”; “Vamos limpar o nome de Uberaba”; “População teme impunidade”; “Vereadores, chega de omissão”. Essas eram as mensagens estampadas em faixas no plenário da Câmara Municipal ontem, durante manifestação a favor do afastamento do prefeito Anderson Adauto (PMDB). Usando nariz de palhaço, apitos e faixas, os manifestantes tumultuaram a sessão, mas não conseguiram a aprovação para o impeachment de AA. Na segunda-feira passada (17), o radialista Celso Borges (PMN) protocolou documento solicitando a cassação de Anderson e a posse imediata do vice José Elias Miziara (DEM), alegando que o envolvimento do prefeito em escândalos políticos como o Mensalão prejudica a imagem de Uberaba. Também afirmava que AA ausentou-se da cidade por mais de dez dias sem pedir autorização à Câmara, o que é punido com perda de mandato, conforme a Lei Orgânica do Município (LOM). O pedido foi encaminhado para análise da assessoria jurídica da Casa, que emitiu parecer contrário ao requerimento. De acordo com advogado Rondon Fernandes, a solicitação não poderia ser atendida porque os autores do pedido não apresentaram provas de que o prefeito Anderson Adauto esteve fora do município por mais de 10 dias. Ele também argumenta que AA ainda aguarda julgamento no caso do Mensalão e não possui condenação definitiva que o impeça de assumir o cargo, tendo direito de ampla defesa garantido por lei. Depois de julgar o pedido improcedente, o advogado recomenda o indeferimento e arquivamento do pedido. A resposta gerou inquietação dos manifestantes que acompanhavam a sessão, que protestaram contra os argumentos do presidente da Câmara, Lourival dos Santos. “É um movimento justo e todos têm direito de reclamar. Mas a maioria da população, mesmo sabendo do Mensalão, aprovou o governo do prefeito. Ele saiu vencedor do pleito, se vocês acham que a eleição foi roubada, devem contestar na Justiça Eleitoral”, disse, rebatendo as críticas dos protestantes pouco antes de solicitar a ordem no plenário. Apoio. Os ânimos ficaram ainda mais exaltados após a leitura de carta de apoio ao prefeito Anderson Adauto, na qual 35 entidades manifestam ser aliadas de AA por acreditar nas melhorias realizadas durante o primeiro mandato. Também é questionada a legitimidade das entidades que assinam o pedido de cassação e solicita-se à CMU o arquivamento de novas propostas com esse intento. “Repudiamos a tentativa de alguns descontentes e derrotados no período eleitoral de macular a imagem do prefeito e de seu governo com denúncias mesquinhas e infundadas”, continua o texto. A carta é assinada pela ONG Ação – Esporte, Cultura e Capacitação e pelas associações dos bairros Valim de Melo, Manoel Mendes, Cartafina, Uberaba 1, Jardim Uberaba, Alfredo Freire, Pacaembu, Residencial Francisco Angotti, Morumbi, Jardim Copacabana, Chácara Mariitas, Beija-Flor, Volta Grande, Recreio dos Bandeirantes, Jardim Maracanã, Jardim Califórnia, Princesa do Sertão, Antônio Barbosa, José Barbosa, Jardim Manhattan, Parque São José, Morada do Sol, Jardim Canadá, Santa Maria, Olinda, Jardim Alvorada, Jardim Primavera, Gameleira 2, Vila Craide, Josa Bernardino, Oneida Mendes, Planalto, Parque das Américas e Cidade Nova. Os manifestantes foram encaminhados para fora da Casa, mas o movimento continuou em frente do Paço Municipal durante o restante da sessão.