POLÍTICA

CMU aprova 16% para a próxima legislatura e nada ao novo prefeito

Em uma sessão marcada por troca de farpas e até insultos, os vereadores de Uberaba aprovaram ontem o reajuste de 16% nos salários que serão pagos na próxima legislatura

Renata Gomide
Publicado em 06/09/2012 às 00:52Atualizado em 19/12/2022 às 17:32
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Em uma sessão marcada por troca de farpas e até insultos, os vereadores de Uberaba aprovaram ontem o reajuste de 16% nos salários que serão pagos na próxima legislatura, ao passo que rejeitaram o ajuste nos vencimentos do prefeito, vice e secretários que tomarão posse a partir de janeiro do ano que vem. Inicialmente a Casa trabalhava com um índice de 40% para todos, mas recuou ante a pressão dos três sindicatos que representam os servidores públicos municipais – SSPMU, Sindemu e Sindae – que vêm em pé de guerra com a atual administração municipal por conta da política salarial implantada.

Os valores que causaram indignação nos sindicalistas foram revelados com exclusividade pelo Jornal da Manhã, edição de terça-feira, dia 4. Ontem, os presidentes dos três sindicatos acompanharam a votação dos projetos, cujos textos foram fechados pela manhã, mas, assim que vieram para discussão em plenário, ficou claro que não havia consenso.

Tanto que Lourival dos Santos (PCdoB) pediu uma reunião reservada de cinco minutos, o que foi acatado pela maioria dos colegas. De volta ao plenário, o que se viu foi um festival de troca de farpas, especialmente após a emenda apresentada pelo presidente da Casa, Luiz Dutra (PDT), prevendo reajuste zero nos salários da próxima legislatura. Afrânio Cardoso de Lara Resende (PP) disse que os vereadores não precisavam fazer média em cima de vencimento e que a Câmara não é um teatro.

Seu colega Marcelo Borjão (DEM) chamou o ato de demagogia e “medo da urna”, enquanto professor Godoy (PTB) remeteu à manutenção das 14 cadeiras para a próxima legislatura para dizer que “pelas nossas mãos encolhemos o Legislativo [naquela ocasião] e agora não tivemos a prudência de cuidar de nós mesmos”, em alusão ao desgaste provocado pela discussão em pleno processo eleitoral.

Ante a reação, Dutra pediu a retirada da emenda, o que foi acatado pelo plenário, com os votos contrários de Cléber Cabeludo (PMDB), Samuel Pereira e Almir Silva (ambos do PR) e Lourival dos Santos. À exceção de Lourival e Cléber, os demais – inclusive João Gilberto Ripposati (PSDB), José Severino (PT) e Itamar Ribeiro (DEM) – também foram contrários ao reajuste de 16% nos salários ––, cuja votação apertada terminou em oito a cinco.

O índice aplicado e que foi colocado em votação considerou o que receberam os servidores públicos municipais ao longo dos últimos quatro anos. Desta forma, os vereadores que tomarão assento na Casa a partir de 2013 ganharão R$9.818,16, sendo que o presidente, que recebe um terço a mais, terá um salário de R$16.363,59. Na sequência a Câmara passou a discutir os salários do Executivo, tendo rejeitado o projeto de lei com os votos de Almir (que disputa o cargo de vice, único entre os 14 que não tenta a reeleição), José Severino, Tony Carlos (PMDB), Samuel Pereira, Chiquinho das Zoonoses (PR), Itamar Ribeiro, Jorge Ferreira (PMN) e Ripposati.

Afrânio, Cléber, Lourival, Godoy e Borjão foram voto vencido. O presidente não vota. O prefeito continuará embolsando R$19.704,37, o vice, R$13.108,58, e os secretários, R$8.669,17.

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