Ao longo de 24 páginas, muitas das quais contendo reproduções de reportagens publicadas pelo Jornal da Manhã, os autores do pedido de intervenção no Diretório Municipal do PMDB acusam o prefeito Anderson Adauto de infidelidade partidária nas eleições de 2010; de esvaziamento na formação da chapa de vereadores do partido; de indicar uma pré-candidatura inviável, e que não foi compartilhada ou negociada com o coletivo partidário.
No documento, assinado pelo reitor e ex-presidente do partido em Uberaba, Marcelo Palmério, o secretário-geral João Caldas e o engenheiro Fued Hueb, eles solicitam à Executiva Estadual do PMDB que defira o pedido de intervenção, nomeando uma comissão com a finalidade de conduzir a agremiação nas eleições deste ano. Para eles, diante da preponderante influência que AA exerce sobre o Diretório – “grande parte possui vínculos de interesses diversos com o prefeito, comprometendo a independência na tomada de decisões” –, não resta alternativa a não ser intervir.
A peça segue uma ordem cronológica dos fatos até chegar à justificativa para o pedido de intervenção. Mas logo nos primeiros parágrafos seus signatários apontam, claramente, que as atitudes implementadas pelo Diretório, capitaneado por Anderson Adauto, “são típicas de quem quer ver a sigla peemedebista enfraquecida em um dos mais importantes colégios eleitorais de Minas Gerais”.
O item que trata do pleito de 2010, quando o PMDB lançou Paulo Piau – que buscava a reeleição a deputado federal – e Tony Carlos, a deputado estadual, traz que o Diretório apoiou timidamente as candidaturas legítimas, preferindo de maneira visível Aelton Freitas (PR) e José Luiz Alves (PSL), que buscavam as mesmas cadeiras, respectivamente. O secretário Rodrigo Mateus (Governo) e pré-candidato a prefeito indicado por AA é apontado como um dos apoiadores entusiasmados do republicano e do liberal.
Rodrigo Mateus é citado ainda como responsável, junto com Anderson Adauto, pelo que chamam de esvaziamento da chapa de vereadores, ao qual atestam que o Diretório Municipal assistiu inerte. Além disso, a peça destaca ainda que AA trabalhou para adiar os rumos do partido nas eleições deste ano e, por fim, apresentou um nome inviável para a disputa.