Aumento superior a 50% no número de licenças de saúde solicitadas por educadores é reflexo do fim do décimo quarto. A análise é da secretária municipal de Educação, Silvana Elias, salientando que a gratificação exigia do servidor a inexistência de faltas de qualquer natureza.
Silvana lembra que, para ter direito ao 14º salário, o professor não podia faltar nem mesmo com a apresentação de atestado médico ou por motivo de falecimento na família. “Essa ferramenta de pressão acabou”, pondera. A secretária admite que a taxa de adoecimento cresceu na categoria, principalmente por questões ligadas ao estresse e de outras complicações causadas pelo exercício da função - como dores de coluna ou alergias. Por isso, ela afirma que o Departamento de Recursos Humanos enviou comunicado a todas as escolas municipais convocando os profissionais para realizar exames médicos periódicos na Casa do Servidor.
De acordo com a titular da pasta, o objetivo é identificar as principais causas de afastamento dos servidores para realizar melhorias no ambiente de trabalho e propor ações preventivas. No entanto, a medida gerou reclamações, alegando que a situação era uma tentativa de constranger os servidores a voltar ao trabalho. Questionada, Silvana nega intenção de conferir a veracidade dos atestados apresentados ou mesmo de pressionar a categoria. “Quem se incomoda em comparecer é quem sabe que está tirando atestado de forma irresponsável. Quem está doente não se incomoda, pois deseja por mudanças que proporcionem maior qualidade de vida”, argumenta.
Conforme a secretária, o fim do décimo quarto também deu abertura para pessoas que agem de má-fé. Desta forma, já está em estudo para inserir um parâmetro referente à assiduidade na avaliação de desempenho realizada para a progressão na carreira. Diferente do décimo quarto, a nova proposta é aferir a questão mensalmente e o servidor perderia pontos apenas no mês em que houver faltas. “Alguns confundiram a nossa proposta de gestão humanizada. Não queremos ser coniventes com a irresponsabilidade. Ficamos amarrados pela falta de consciência de quem tira o atestado sem necessidade”, ressalta.