Lideranças e sindicatos ligados às forças de segurança prometem não cessar o movimento de paralisação mesmo após o governador Romeu Zema (Novo) anunciar o reajuste de 10,06% a todos os servidores do Estado. O índice foi considerado baixo pela categoria, que articula nova manifestação para a manhã desta sexta-feira, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte. A ideia é endurecer a paralisação.
Apesar das promessas, os policiais e agentes não se dão por satisfeitos e querem o cumprimento do acordo firmado em 2019, que previa a recomposição inflacionária em três parcelas: 13% em julho de 2020, 12% em setembro do ano passado, mais 12% neste ano.
O sargento Marco Antônio Bahia, representante da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra-MG), projetou o endurecimento do movimento. “Nós, que negociamos durante dois anos com o governo, esperávamos, primeiro, que ele viesse negociar com a categoria, como ele fez lá em 2019. Segundo, ele anunciou (o reajuste) sem nenhuma discussão ampla com as entidades de classe, com os deputados ou com os comandos”, avaliou, em entrevista ao jornal O Tempo.
Questionado, o vice-presidente da Aspra/PMBM não descarta eventuais aquartelamentos de policiais e bombeiros militares. “Pode haver atos espontâneos nos quartéis neste momento, haja vista que nós temos vários grupos de WhatsApp em que já estão perguntando em que dia nós vamos parar a Polícia Militar. Não tenho dúvida de que a partir de amanhã (sexta-feira) pode haver sim uma reação espontânea de todos os militares por um aquartelamento”, admite Bahia.
O anúncio de Zema também não agradou policiais civis nem penais. De acordo com a diretora de Comunicação Social da Confederação Brasileira de Trabalhadores de Policiais Civis (Cobrapol), Aline Risi, policiais civis já acionaram as entidades de classe para manifestar o descontentamento com a “bomba” de Zema. “Inclusive, a gente estava entendendo que todas as negociações que estavam sendo feitas nesta semana era para resolver o problema da Segurança Pública, essa discrepância em relação às outras categorias que já haviam tido a recomposição inflacionária”, questiona.
O assessor do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas (Sindpol/MG) Wemerson Oliveira avalia a proposta de reajuste de 10,06% como “um tiro no pé” de Zema. “Um absurdo maior ainda é ele querer separar, distanciar mais ainda os servidores pensionistas dos policiais da ativa”, refere-se à proposta de aumentar de uma para três parcelas o abono-fardamento. “Até porque isso não quer dizer que vai ser permanente e, ainda assim, está bem aquém da recomposição real que nós merecemos e que é justa para todos os servidores”, completa Oliveira.
As lideranças sindicais cobram o cumprimento do acordo costurado entre as forças de Segurança Pública e o governo de Minas em 2019. O Executivo e a categoria pactuaram uma recomposição salarial de 42% à época, dividida em três parcelas: uma de 13% em 2020 e outras duas de 12% em 2021 e 2022. No entanto, Zema vetou a incidência das duas últimas.