Deputadas estaduais reclamam de "cunho racista" em fala do governador mineiro
A fala do governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), dizendo que tinha “inveja branca” de seu colega governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, repercutiu negativamente entre militantes do movimento negro e motivou representações no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pedindo investigações contra Simões.
Duas representações foram protocoladas no MPMG, uma assinada pela deputada Beatriz Cerqueira (PT) e outra encabeçada pela deputada e ex-ministra Macaé Evaristo (PT), apoiada por outras três parlamentares da legenda: Ana Paula Siqueira, Andréia de Jesus e Leninha, vice-presidente da Assembleia Legislativa.
Nos dois casos, o argumento é semelhante: as deputadas apontam que o uso da expressão, em contexto público e institucional, pode configurar prática de cunho racista.
“A utilização de expressão que associa positividade ao elemento ‘branco’ e, por oposição implícita, negatividade ao elemento ‘negro’, em contexto público e institucional, possui potencial de reforçar e legitimar padrões sociais discriminatórios, podendo configurar forma indireta de indução à discriminação racial”, diz o documento encabeçado por Macaé Evaristo.
As parlamentares pedem a abertura de investigação contra o governador. Na representação apresentada por Beatriz Cerqueira, há ainda o destaque de que “o prestígio do cargo não sirva de salvo-conduto para práticas discriminatórias”.
Os pedidos também incluem a possibilidade de indenização por danos morais coletivos, caso sejam constatadas irregularidades.
A declaração poolêmica foi feita nesta terça-feira (21/4), durante a cerimônia da Medalha da Inconfidência. Ao comentar a gestão paulista. “Dizia ao governador Tarcísio da minha inveja branca de ele ter nomeado a 1ª comandante da Polícia Militar mulher, mas disse a ele: o senhor não ganhou a corrida, porque em Minas já temos uma comandante militar que comanda os nossos bombeiros com muito orgulho, coronel Jordana”, disse.
A assessoria do governo foi acionada, e o espaço permanece aberto para um posicionamento em relação às denúncias.