Em meio às homenagens por parte da ALMG, ex-governador Newton Cardoso aproveitou para disparar contra seu desafeto
Em meio às homenagens por parte da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) pelos 52 anos do MDB, o ex-governador Newton Cardoso (MDB), de 1987 a 1991, aproveitou para disparar contra o seu desafeto, senador Aécio Neves (PSDB). Após a solenidade na ALMG, Newtão, como é conhecido, deu duras e bombásticas declarações em relação ao tucano. Falou abertamente, sem que nada pudesse ser interpretado como comentário “in off” (declaração dada sob compromisso de não se revelar a fonte).
Newton e Aécio disputaram as eleições para o governo de Minas em 2002, quando o hoje senador levou a melhor e venceu no primeiro turno. O emedebista disse que “Aécio [Neves] está podre, está caindo aos pedaços de podre, de ladrão, de corrupto”. E não parou por aí. Sem “papas na língua”, Newtão comentou até sobre a futura campanha do senador Antonio Anastasia (PSDB) ao governo de Minas Gerais. “O [senador] Anastasia vai carregar caixão [de Aécio] para Andréa [Neves, irmã do senador] roubar, que é uma ladra. Andrea Neves é uma ave de rapina.” E arrematou. “[A carreira política de Aécio] já acabou há muito tempo. Aécio está na lama.”
Não houve manifestações do senador sobre as declarações do ex-governador. Mas, por se tratar de uma fala em público, Aécio tem direito a recorrer à Justiça caso sinta-se ofendido ou prejudicado pela fala de Newton Cardoso.
Réu. Em manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, acusou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) de usar o cargo para atingir objetivos espúrios e reiterou o pedido para que a Corte receba a denúncia apresentada contra o tucano pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça no âmbito da delação feita por executivos da J&F. O advogado Alberto Zacharias Toron, defensor de Aécio, disse em nota que a manifestação de Raquel Dodge "foge dos argumentos centrais da defesa e se limita a repetir termos genéricos da denúncia, revelando a fragilidade da acusação".