POLÍTICA

Parlamentar recebeu doações da indústria de armas, diz ONG

Levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz aponta que 17 parlamentares de 11 legendas que disputaram as eleições receberam doações

Renata Gomide
Publicado em 29/11/2014 às 23:35Atualizado em 17/12/2022 às 02:28
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Levantamento feito pelo Instituto Sou da Paz – ONG que atua no combate à violência – aponta que 17 parlamentares de 11 legendas diferentes que disputaram as eleições de 2014 receberam doações da indústria de armas e munições, em um montante que chegou a R$620 mil. Nesta relação está o deputado federal Marcos Montes (PSD), presidente da comissão especial que analisa o Projeto de Lei 3.722/2012, que disciplina normas sobre aquisição, posse, porte e circulação de armas de fogo e munições, no Brasil.

Além dele, que recebeu R$30 mil, outros dez parlamentares que são membros titulares do colegiado – são 24 no total – receberam do setor, aponta o levantamento feito com base nos dados sobre doações de campanha registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PMDB foi o partido com o maior número de deputados federais candidatos nas eleições de outubro financiados pela indústria armamentista: quatro no total. Na sequencia vem o PSD, com três parlamentares, e o DEM e PDT, ambos com dois deputados. Com apenas um nome na lista de beneficiados pela indústria armamentista estão PT, PSDB, PSB, PTB, PMN e PP.

Dos 17 candidatos que receberam doações do setor, 13 conseguiram se reeleger, dois falharam na missão e outros dois perderam na disputa majoritária. Segundo o Instituto Sou da Paz, objetivo da indústria armamentista é reforçar a chamada “bancada da bala” em votações na Câmara, como, por exemplo, na defesa do PL 3.722/2012, que revoga o Estatuto do Desarmamento.

A matéria prevê, por exemplo, que cada cidadão poderá adquirir e legalizar até nove armas e comprar 50 balas por mês. Hoje são 50 por ano. Através de sua assessoria de imprensa, MM diz que a legislação brasileira permite a colaboração da iniciativa privada em campanhas, e que ele recebeu este ano, a exemplo de eleições anteriores, apoio de várias entidades representativas dos mais variados segmentos.

Ele observa que o fato de uma entidade ter esta ou aquela opinião, não significa que seguirá o mesmo caminho. Prova disso é que já está com ofício pronto para o relator da comissão especial através do qual sugere que o deputado Claudio Caiado (DEM/BA) faça uma mudança no projeto de lei em debate. O projeto prevê a permissão de publicidade por parte dos fabricantes de armas, proibido atualmente, mas Marcos Montes informa que vai trabalhar pra que continue assim.

Este, segundo ele, é um exemplo de que não tem qualquer alinhamento com a indústria das armas. Além disso, lembra que tem sido o principal defensor das audiências públicas para ouvir a população, convidando todos os lados para manifestar-se. Por fim, lembra que os R$30 mil doados pela indústria em questão possuem uma significância ínfima diante do que arrecadou.

Ainda conforme o Instituto, a indústria privada de armas e munições é monopolizada pelos grupos Taurus, responsável por R$ 43% dos repasses em 2014, e Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), que doou os outros 57% dos recursos. Segundo o site Congresso em Foco, o setor doou para candidatos e partidos em 2014, R$1,73 milhão para políticos de 12 partidos em 15 estados.

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