Os deputados federais Paulo Piau (PMDB) e Marcos Montes (DEM) têm opiniões contrárias sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ratificar a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a fidelidade partidária. Enquanto o primeiro afirma que a decisão é uma aberração, o segundo aplaude a decisão do Supremo. Segundo Piau, o Supremo só ratificou a decisão do TSE porque não havia alternativa após a cassação de vários mandatos no País. Ele disse ainda que a decisão é equivocada, porque só existe fidelidade partidária quando existe partido, o que não acontece no país. “Aqui existe um partido em nível nacional, outro no Estado e outro no município. O que temos hoje são partidos de cúpula e com donos. Assim não funciona”, disse ele. Piau também afirmou que o Congresso tem que fazer a reforma política, eleitoral e partidária para tratar deste assunto. Segundo ele, quando o tribunal legisla, causa transtorno, mas fez isso porque o parlamento não legislou. O deputado disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou alguns itens fundamentais para serem discutidos nesta questão, que são o financiamento público de campanhas, proibição das coligações proporcionais e votos em lista (vota proposta partidária). “É com isso que vamos começar a discutir a fidelidade partidária. Como está é uma aberração”, finalizou ele. Oposto. Com argumentação contrária, o deputado Marcos Montes afirmou que o DEM apóia, enfaticamente, a iniciativa do TSE e do STF. “Essa forma que muitos fazem política, na base do governo, é realmente um contra-senso em relação ao respeito aos eleitores. Você tem que seguir um sentido de ideologia partidária”, disse ele. Montes disse que se houver, dentro da reforma política, uma janela para propiciar a mudança de partido, novamente será contra. Segundo ele, todos os políticos querem ir para base do governo quando têm oportunidade e que eles devem ser punidos. Sobre a necessidade de mudança de partido, ele analisou que pode se feita, mas dentro de outros critérios. “Temos que analisar cada caso, fazer um conselho suprapartidário, pensar em algo que, realmente, justifique a mudança. Agora, se abrir a janela, vai ser uma trança-trança de político, que em sua maioria vai para o governo, e depois o governo é outro, e aí eles voltam. Não deve ser assim”, afirmou MM.