Prefeitura aciona Ministério Público e cobra entrega de 10 respiradores destinados ao Hospital Regional para leitos de tratamento ao Covid-19. Os equipamentos foram enviados à cidade pelo Ministério da Saúde, mas acabaram sendo repassados pela Superintendência Regional de Saúde ao Hospital Mário Palmério.
O secretário municipal de Saúde, Iraci Neto, afirma que os respiradores foram viabilizados junto ao governo federal pelo deputado federal Franco Cartafina em julho. Segundo ele, por um equívoco, os aparelhos foram entregues na Superintendência Regional e acabaram sendo encaminhados pelo órgão estadual para o hospital universitário. “Não fomos consultados e o município é o beneficiário desses equipamentos”, manifesta.
De acordo com o titular da pasta, questionamentos foram apresentados à Secretaria de Estado de Saúde em Belo Horizonte, mas não houve uma solução. Com isso, ele informa que também comunicou o problema à promotoria estadual porque o impasse trava a possibilidade de expandir a estrutura do Hospital Regional para o atendimento a pacientes com Covid-19. “Estamos pedindo ajuda aos órgãos de controle externo para restabelecer o que é de direito do município. Estamos com um planejamento de retomada [de atividades econômicas] e esses equipamentos fazem parte desse planejamento”, declara. Aparelhos estão em uso, mas serão devolvidos
O superintendente regional de Saúde, Maurício Ferreira, manifesta que não havia qualquer informação do governo federal sobre o destino dos respiradores entregues em Uberaba. Diante da situação, ele afirma que foram feitas diversas consultas à equipe técnica do Estado em Belo Horizonte e a deliberação foi para encaminhar os equipamentos para o Hospital Mário Palmério.
A orientação, conforme o superintendente, ocorreu porque o Hospital Mário Palmério presta serviços ao SUS e foi colocado como retaguarda para o atendimento ao coronavírus no Triângulo Sul. “Se houver superlotação no Hospital Regional, o Mário Palmério será o primeiro a ser demandado para internação”, pondera.
Além disso, Ferreira defende que o HR já estava bem estruturado quando a consulta foi feita para a destinação dos respiradores. “O Hospital Regional tinha recebido vários equipamentos do governo federal e do Estado. Estava bem abastecido e com os leitos estruturados. Não havia naquele momento nenhuma emergência [...]. Então, o Estado se viu no dever de assistir outros prestadores que estão no plano macrorregional”, posiciona.
Apesar das diretrizes do Estado, Ferreira declara que medidas já foram tomadas para solucionar o impasse com o município. Dos 10 respiradores, o superintendente informa que três já foram direcionados para o Hospital Regional e o restante dos equipamentos será entregue dentro de um cronograma. “Os outros sete aparelhos estão hoje em uso no Hospital Mário Palmério. Não podemos recolher de imediato porque existem pacientes em tratamento ligados aos respiradores. Então, a direção do hospital já se prontificou a construir um cronograma de devolução à medida que os aparelhos forem desocupados”, finaliza.