Apesar de ainda negar a necessidade de racionamento, o Codau mantém a estratégia de interromper o fornecimento em determinadas áreas para a recuperação dos reservatórios
Com queda de 40% na capacidade de captação por causa da estiagem, a Prefeitura vai aplicar multas para combater o desperdício de água. A medida está embasada em decreto emergencial publicado no Porta-Voz que entrou em circulação ontem.
A partir de hoje, os fiscais do Departamento de Posturas já estarão nas ruas para notificar as infrações por consumo exagerado de água. Entre as situações previstas como desperdício está o uso de mangueiras para lavar calçadas e veículos ou até mesmo para regar jardins. No primeiro momento será feita apenas uma advertência ao infrator. Em caso de reincidência, a multa será de R$185.
O presidente do Codau, Luiz Guaritá Neto, justifica que foram feitos vários apelos para a necessidade de economizar água, mas os alertas não foram suficientes para mobilizar a população. “Agora não é mais questão de consciência, é questão de multa”, sentencia. Questionado, o presidente do Codau continua negando a necessidade de determinar o racionamento na cidade. Entretanto, a distribuição de água já vem sendo suspensa temporariamente todos os dias, em diferentes bairros, na tentativa de normalizar os estoques dos reservatórios e evitar o desabastecimento nas partes mais altas da cidade. A estratégia foi intitulada de plano de recuperação dos centros de reservação.
Os cortes no fornecimento passaram a ser comunicados no site oficial do Codau esta semana. Ontem, sete reservatórios foram fechados temporariamente e devem voltar a operar a partir da madrugada de hoje.
De acordo com Luiz Neto, a suspensão é feita por, no máximo, 12 horas em cada área. "A medida é tomada conforme o monitoramento do nível dos centros de reservação. Assim, esperamos garantir que toda casa tenha a caixa-d’água abastecida pelo menos uma vez por dia", disse.
Segundo dados do Codau, Uberaba enfrenta a pior seca desde 1961. No acumulado do ano, as chuvas atingiram apenas 524,2mm. Até então, o pior índice era de 1983, quando foram apenas 553,4mm de chuva.
O decreto emergencial será encaminhado ao Ministério Público e ao Igam (Instituto Mineiro de Gestão das Águas). Os dois órgãos já iniciaram fiscalização para identificar captações irregulares no rio Uberaba e os infratores podem ser lacrados para evitar prejuízos ao abastecimento.