Aciu cobra do governo de Minas apresentação do projeto técnico do gasoduto Betim-Uberaba às lideranças regionais e à comunidade local. Em entrevista à Rádio JM ontem, o presidente da entidade, Manoel Rodrigues Neto, questionou a falta de informações concretas sobre o empreendimento e também das providências já tomadas para viabilizar o início das obras. O líder classista ressalta que não apenas a Petrobras, mas os empresários locais investiram bastante para se capacitar à nova fase de desenvolvimento esperada por causa da expectativa do gasoduto e da fábrica de amônia. Por isso, ele argumenta que o governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB) precisa dar detalhes sobre o traçado projetado do gasoduto, o processo de licenciamento ambiental, fonte de financiamento e o cronograma efetivo das obras. Manoel lembra que o Triângulo Mineiro reivindica o gás há mais de 20 anos e as articulações em torno da nova matriz energética se intensificaram a partir de 2010 por causa da planta de amônia, sendo inclusive assinado um protocolo de intenções em que o Estado se comprometeu a viabilizar o gasoduto para suprir a fábrica da Petrobras. No entanto, o presidente da Aciu avalia que nada avançou desde então. “Há quatro anos o governo de Minas vem com uma desculpa diferente para solucionar a questão. Agora o governador vai deixar o cargo em março [para disputar as eleições a senador] e diz que trará o gás nas costas. Por que não trouxe antes? Agora que estamos entrando num ano eleitoral é muito conveniente fazer esse anúncio. Só acredito quanto eu ver o projeto, conhecer o traçado e saber o que já foi apresentado para viabilizar a obra. Até agora só houve especulação na mídia e nada mais”, disse, acrescentando que o Estado investiu muito pouco em Uberaba nos últimos anos. Além disso, o presidente da Aciu questiona a opção escolhida para abastecer a fábrica da Petrobras. Enquanto o gasoduto vindo de Betim custará R$1,8 bilhão ao governo estadual, a TGBC estima investimento em torno de R$700 milhões para implantar um duto entre São Carlos (SP) e Uberaba. Outra alternativa mais barata seria prolongar o gasoduto de distribuição de Ribeirão Preto (SP) até o Triângulo Mineiro, com investimento previsto de R$500 milhões. “O gás de Betim deveria ser a nossa última alternativa. O problema é tempo [para executar a obra] e ainda nem vimos o projeto técnico”, finaliza.