Terminou sem acordo a audiência de conciliação entre o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) e o governo de Minas Gerais, que acabou acusado de abandonar as negociações. A reunião ocorreu na tarde desta terça-feira (22). Os trabalhadores pleiteiam a aplicação de reajuste no piso salarial.
A audiência foi presidida pelo desembargador Newton Carvalho e contou com a presença do representante do Ministério Público, Júlio César Luciano. Na avaliação do Sind-UTE, o governo mineiro “demonstrou intransigência e se retirou da mesa de negociação”, mesmo quando solicitado pelos mediadores que avaliasse a proposta apresentada.
O Sind-UTE ainda aponta que o Executivo demonstrou "ausência de interesse na continuidade do processo de mediação e informou que não levaria nenhuma proposta para avaliação do governo".
Agora o processo volta à apreciação do desembargador relator. Sind-UTE informou que recorreu da sua decisão liminar na ação da greve e aguarda o pedido de reconsideração.
“Nós queremos o que nos é devido. É o pagamento do Piso Salarial Profissional Nacional (PSPN). Queremos que o governo nos pague”, afirmou a presidente do Sind-UTE em Uberaba, Maria Helena Gabriel, em vídeo publicado recentemente nas redes sociais. O PSPN, após reajuste de 33,24% por parte do governo federal, subiu para R$3.845,63.
Em entrevista recente ao jornal O Globo, o governador Romeu Zema (Novo) se referiu às lideranças do movimento dos servidores da Educação como “minoria ruidosa”, ligada a sindicatos. “O movimento é liderado por uma minoria ruidosa ligada a sindicatos. Nem de longe refletem o olhar da totalidade da categoria sobre o nosso trabalho. Desde 2019, reformamos mais de 1.300 prédios e melhoramos a qualidade da merenda. Também distribuímos os recursos do Fundeb, que garantiram um 14º salário à categoria. Tem quem valorize tudo isso”, lembrou o governador.
Zema falou também que a inclusão de Minas Gerais no Regime de Recuperação Fiscal (RFF), proposto pelo governo federal, segue sendo um de seus objetivos no governo e que o Estado teria um “pensamento retrógrado” sobre a proposta.
Segundo Zema, o RRF daria ao Estado a possibilidade de pagar a sua dívida corrente, que supera R$140 bilhões, em 30 anos.
*Com informações do jornal Estado de Minas