A Justiça da Itália autorizou nesta quinta-feira (26/3) a extradição da ex-deputada federal, condenada a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do CNJ
Mais conhecida como Colmeia, a penitenciária feminina da capital fica no Gama, região administrativa do Distrito Federal, distante cerca de 35 km da Praça dos Três Poderes (Foto/Paulo H. Carvalho/Agência Brasília)
A Justiça da Itália decidiu aceitar o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), em decisão comunicada nesta quinta-feira (26/3) ao governo brasileiro. A medida ainda depende de etapas adicionais, com apresentação e análise de recursos, e não terá efeito imediato.
Zambelli foi condenada em mais de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela deixou o Brasil dias depois. Primeiro foi para a Argentina, seguiu para os Estado Unidos e, depois, para a Itália, onde contava com a liberdade por ter cidadania italiana.
A ex-deputada foi presa em julho. Ela estava na lista vermelha da Interpol, como foragida da Justiça brasileira. Desde então está em um presídio de Roma, onde aguarda a conclusão do processo de extradição pedido pelo governo brasileiro. Caso a extradição se confirme, Zambelli deverá cumprir as penas no complexo da Penitenciária Feminina do Distrito Federal.
Trata-se de um estabelecimento de segurança média. Conforme relatório de inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de agosto de 2025, as condições na penitenciária são consideradas “boas”.
Mais conhecida como Colmeia, a única penitenciária feminina da capital fica no Gama, região administrativa do Distrito Federal, distante cerca de 35 km da Praça dos Três Poderes.
A Colmeia tem capacidade para 1062 detentas. Abriga atualmente aproximadamente 800, conforme dados mais recentes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do DF.
O complexo tem blocos separados em alas para as mulheres em prisão provisória (à espera do julgamento), regime semiaberto sem saídas e fechado e outro bloco para custodiadas com benefícios externos concedidos (trabalho externo e saídas temporárias).
A Colmeia tem uma ala só para mulheres trans e uma unidade materno-infantil, com capacidade para 24 presas, dotada de berçário integrado, contando ainda com acompanhamento médico e psicológico.
Nesta alfa ficam gestantes e lactantes. As mães ficam com seus bebês, até, ao menos, os seis meses de idade da criança. Elas contam com assistência médica ginecológica, clínica geral, psiquiatria, psicologia, odontologia, além de assistência pediátrica, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do DF.
Na Colmeia também há oficinas de trabalho, salas de aula para alfabetização, ensino fundamental, médio e bibliotecas.
Com a entrega da decisão de Carla Zambelli aos seus advogados de defesa e ao governo brasileiro, os advogados da ex-deputada têm o direito de recorrer ao Supremo Tribunal de Cassação.
Fonte: O Tempo