Essa tecnologia já foi usada no governo anterior e agora será feito estudo jurídico para verificar a legalidade da ação
Técnicos preparam drone para sobrevoar áreas onde podem conter acúmulo de material que serve de criadouro do mosquito transmissor da dengue (Foto/Divulgação/PMU)
Com alta no número de casos de dengue em Uberaba, Secretaria Municipal de Saúde analisa a possibilidade de retomar o uso de drones para a fiscalização de focos do mosquito Aedes aegypti em imóveis fechados. A proposta será discutida nessa quarta-feira com o departamento jurídico da Prefeitura, conforme adiantou o titular da pasta, Sétimo Bóscolo, em entrevista à Rádio JM.
Os drones já foram utilizados para o combate ao mosquito no governo do ex-prefeito Paulo Piau (MDB), mas o trabalho foi interrompido com o encerramento do mandato e o uso da ferramenta não havia sido cogitado na nova gestão até então.
De acordo com o secretário, a captura de imagens aéreas seria uma forma de monitorar a situação dos imóveis fechados, pois há um alto índice de locais onde os agentes de combate a endemias não conseguem entrar. “Temos muita dificuldade com o acesso. A nossa equipe de zoonoses percorre 100% das residências, mas consegue acessar somente a metade”, manifestou.
Entretanto, Bóscolo ressalta que ainda será preciso verificar a legalidade do uso dos aparelhos para a fiscalização dos imóveis. O titular da pasta salientou que há relatos de outras cidades que adotaram a medida com aval do Ministério Público, mas ainda existem dúvidas sobre o tema.
Por isso, uma reunião será realizada hoje com o departamento jurídico da Prefeitura e o secretário municipal de Defesa Social, Glorivan Bernardes, para analisar a proposta detalhadamente. “Vamos ver primeiro a questão jurídica e a legalidade disso. Se é possível e se não vai ser caracterizada invasão de domicílio sobrevoar um quintal ou alguma coisa. Não havendo empecilho, vamos dar andamento”, disse.
Caso a resposta seja positiva, o secretário de Saúde não deu um prazo o início da utilização dos drones no trabalho de combate ao Aedes aegypti. Segundo ele, a pasta não possui o equipamento e ainda será necessário aguardar a conclusão do processo de compra.
Os drones usados para a fiscalização no governo passado pertenciam à Codiub. A companhia disponibilizou o equipamento para ajudar a Secretaria Municipal de Saúde a identificar focos do mosquito transmissor da dengue por imagens aéreas. A ideia surgiu através do vereador Ismar Marão (PSD). A retomada da parceria poderia agilizar o início dos trabalhos nos imóveis fechados pela Prefeitura.
Coleta de dados para o 2º levantamento da infestação do mosquito já foi realizada
Secretaria de Saúde realiza o segundo Levantamento de Índice Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa) do ano. A coleta de dados já foi encerrada na semana passada e as informações estão sendo organizadas para divulgação nos bairros com maior índice de proliferação do mosquito. Até o momento, não foi informada a data para apresentação do resultado da pesquisa que direcionará as próximas ações de combate ao mosquito.
Realizado em fevereiro, o primeiro LIRAa de 2022 apontou que Uberaba continuava em risco de surto de dengue. O índice de infestação predial ficou 7,70%, superando tanto o resultado do fim do ano passado quanto o de janeiro de 2021. Pelo parâmetro do Ministério da Saúde, o número acima de 4% indica risco de surto de dengue.
Segundo as informações repassadas pela Prefeitura na época, foram constatadas situações críticas, como a do Portal do Sol, que chegou a atingir o crítico percentual de 77,78% de infestação predial. Outros bairros também ficaram em situação preocupante: Umuarama (40%), Residencial Mário Franco (27,03%), Pacaembu 2 (25%), Parque da Liberdade (25%), Ilha de Marajó 1 (22,73%), Villaggio Dei Fiori (22,22%), Alfredo Freire 3 (21,88%), Morada Du Park (21,05%) e Parque dos Girassóis (20,59%). (GB)