POLÍTICA

Seis vereadores de Campina Verde são presos por desvio de recursos públicos

José Cícero, promotor de Gaeco de Uberaba, revelou que as investigações detectaram atuação dos vereadores em práticas delituosas desde 2017

Luiz Gustavo Rezende
Publicado em 18/03/2020 às 22:15Atualizado em 18/12/2022 às 05:01
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Foto/Jairo Chagas

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou ontem a operação Trinta Moedas e cumpriu seis mandados de prisão de vereadores da cidade de Campina Verde, a 200 quilômetros de Uberaba, investigados pela prática de “rachadinha", compra de votos e desvios de recursos públicos que chegam a R$ 500 mil. A ação teve a participação da Polícia Militar, sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, e apreendeu três armas de fogo. 

José Cícero, promotor de Gaeco de Uberaba, revelou que as investigações detectaram atuação dos vereadores em práticas delituosas desde 2017. Em diálogo interceptado, os investigadores detectaram a negociação de compra de voto para a eleição da mesa diretora da Câmara Municipal de Campina Verde pelo valor de R$ 60 mil.

Além disso, o grupo formado por seis parlamentares era chamado por outros vereadores como os “diaristas", devido à alta frequência com que eles viajavam alegando que participariam de cursos de gestão pública. "O grupo nunca discutia efetivamente os cursos e a qualificação. Sempre eram abordados os custos a serem recompensados e sempre com valores excessivos para o tamanho da cidade", detalha José Cícero.

Participaram da operação 48 agentes da PMMG lotados nas cidades de Uberaba, Prata, Uberlândia, Campina Verde, Frutal e Itapagipe. Os seis vereadores presos foram levados a Itapagipe, sendo que um deles tentou fugir, porém sem sucesso. Três armas de fogo, sendo duas espingardas e um revólver, foram apreendidas.

Desdobramentos. Durante o período de interceptação telefônica, outras suspeitas de crimes foram detectadas e novos processos serão realizados para apuração. “Um dos vereadores é produtor rural e fraudava dados de notas fiscais de animais, e isso faz com que um novo braço de investigação seja aberto”, revela José Cícero, promotor do Gaeco Uberaba, pontuando que isso o favorecia na captação de empréstimos com juros diferenciados, ajudava na sonegação de imposto de renda, entre outros. Computadores e documentos foram apreendidos no Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e Sindicato Rural de Campina Verde. Além disso, o Gaeco aponta tráfico de influência em episódio onde um vereador pediu aprovação no exame de direção para obtenção da carteira nacional de habilitação para uma pessoa próxima dele. Dias depois, segundo Gaeco, verificou-se que o candidato foi aprovado no exame prático. 

José Cícero revelou que o nome da operação – Trinta Moedas – faz associação à atuação dos vereadores com a de Judas Iscariotes. O apóstolo, segundo livro da Bíblia, traiu Jesus por essa quantia.

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