A Câmara Municipal recebeu ontem, no fim da tarde, as declarações públicas registradas em cartório denunciando o vereador Jorge Ferreira da Cruz Filho (PMN) por assédio sexual e improbidade administrativa. Os documentos foram protocolados na presidência da Casa.
A Secretaria de Comunicação do Legislativo, no entanto, não divulgou o teor das informações, preservando também os nomes dos servidores envolvidos. A conduta a ser adotada pela CMU no tocante às denúncias e a correta apuração sem pré-julgamentos serão externadas hoje pelo presidente Lourival dos Santos (PCdoB), de acordo com sua assessoria.
Segundo fontes ligadas à reportagem, as denúncias foram feitas por quatro servidores, duas mulheres e dois homens – uma das profissionais assediadas teria recebido um telefonema do vereador a 1h da madrugada há poucos dias. Já os servidores não-estáveis são contratados como assessores no gabinete do vereador Jorge Ferreira. Todos os meses, segundo a fonte, eram coagidos a devolver parte dos salários que recebiam.
Agressão. Solteiro e em seu primeiro mandato, Jorge Ferreira foi denunciado em julho de 2007 por ameaça de morte a uma ex-namorada, inconformado com o fim do relacionamento de oito meses. Segundo fonte, na época, a namorada, menor de idade, não formalizou a representação criminal. Ainda segundo informações, o vereador e sua ex-namorada prestaram depoimentos sobre o fato em janeiro deste ano à delegada de Mulheres, Ludmila Perfeito.
À reportagem do Jornal da Manhã a delegada informou que a ex-namorada, que já atingiu a maioridade, disse não ter mais interesse em sequenciar o processo por ter se mudado de Uberaba, extinguindo todos os vínculos com o vereador. Em face do grande volume de processos, ambos foram intimados em novembro do ano passado.
Versão. Procurado, o vereador Jorge Ferreira não quis comentar o assunto, pedindo à reportagem que ligasse para seu advogado, Jacob Estevam de Oliveira.
O defensor do vereador, num primeiro momento, se referiu apenas a uma das servidoras, permitindo entender que já sabia da existência das denúncias. Classificando-a como mentirosa, afirmou que a profissional teria agido antecipadamente para evitar desgastes profissionais, uma vez que Jorge Ferreira teria solicitado duas vezes a realização de serviços profissionais que não foram executados. “Ele ia fazer críticas dela na tribuna e eu o dissuadi. Por isso, ela externou esse absurdo”, reitera.
Quanto aos assessores do gabinete do vereador que o acusam de coação para devolver parte dos salários, o advogado Jacob Estevam disse se tratar de retaliação e chantagem, por terem sido demitidos ontem pelo partido (PMN) pelo não-cumprimento de metas de trabalho. Ele afirma que Jorge Ferreira está tranquilo quanto à questão, uma vez que os acusados não detêm provas da suposta prática delituosa. “Para mim, testemunha não é prova”, finaliza.