Beatriz Dourado apresentou declaração retificando depoimento prestado à Comissão Processante no dia 27 de abril
Uma das testemunhas de acusação no processo que investiga o vereador Jorge Ferreira (PMN), fez declarações, até então, desconhecidas por quem vem acompanhando o desenrolar deste processo. Beatriz Helena Dourado apresentou declaração retificando depoimento prestado à Comissão Processante no dia 27 de abril. Segundo ela, no dia em que a ex-chefe de gabinete Patrícia Aparecida Camargo Monfre foi exonerada do cargo, as duas foram juntamente com Sandro Caldeira, outra testemunha no processo, para a casa de Patrícia aguardar ligação do vereador Jorge Ferreira, o que não aconteceu. Ainda, segundo as declarações da ex-assessora parlamentar, quem entrou em contato com as duas, foram: o presidente da Câmara, vereador Lourival dos Santos (PCdoB) e vereador Luiz Humberto Dutra (PDT). Ela afirmou que eles ligaram para o celular de Patrícia por volta de 20h e depois, às 21h30, compareceram ao local. Beatriz disse ainda na declaração que, nessa conversa ficou decidido que Patrícia seria testemunha contra Jorge Ferreira - com a garantia do presidente Lourival - que ela não seria exonerada quando tivesse acabado o processo na Câmara. No documento, a testemunha diz, ainda, que no dia das representações no cartório, Patrícia recebeu ligação de Dênis Silva - secretário de Comunicação da Câmara - convidando as duas para irem ao cartório fazer a representação contra o vereador. Lá, ainda encontraram o vereador Luiz Dutra que veio ao encontro e, segundo ela, disse: “firmeza, façam conforme combinamos”. A testemunha declara, também, que após o dia do cartório, por várias vezes, no decorrer do processo, encontraram com o vereador Luiz Dutra na Câmara, sempre lhe dizendo que as coisas caminhavam bem, conforme o combinado. Em sua declaração, datada do dia 13 de junho (sábado) Beatriz diz também que não foi chamada para depor no Ministério Público, mas Patrícia já havia dito à ela que não comparecesse, pois apenas na comissão já era o bastante. “No dia anterior à minha ida perante a Comissão, Patrícia me orientou sobre o que, e como eu deveria falar, deixando bem claro que, se eu quisesse meu emprego, que confirmasse a devolução de dinheiro e outras acusações conforme combinado, portanto, não confirmo qualquer acusação contra o vereador Jorge Ferreira da Cruz Filho, declaro que fui manipulada para atender interesses de outras pessoas”, finalizou Beatriz na declaração. O presidente da Câmara, Lourival dos Santos, negou as informações. Segundo ele, a ex-chefe de gabinete, Patrícia, procurou-o na sala da presidência por duas vezes e, em uma destas ocasiões estava acompanhado do secretário de Comunicação, Dênis Silva. Segundo o vereador, em conversa com Patrícia, que fez reclamações a respeito de Jorge Ferreira, ele a orientou a registrar e oficializar as acusações, porque só assim poderia tomar providências. “Tudo isso é armação do Jorge. Ele preparou as testemunhas dele”, afirmou Lourival. Sobre Beatriz Helena Dourado, Lourival afirmou que ela também o procurou durante o andamento do processo contra o vereador, pedindo emprego, mas, na ocasião, ele não pôde ajudá-la. “Quando orientei a Patrícia, não lhe dei garantia nenhuma de emprego. Não houve troca”, ressaltou Lourival, negando ainda que ele e o vereador Luiz Dutra tenham ido à casa de Patrícia intermediar as acusações. “Não tenho nenhum interesse em prejudicar o Jorge. Quero que prevaleça a verdade. Minha consciência está tranquila. O que quero é preservar o nome da Câmara e, só estou apoiando os que estão sendo prejudicados”, finalizou. (MS)