Em 1974 o Brasil disputou a Copa sem Pelé. Ele resolveu não participar, embora tivesse condição. Preferiu ser lembrado pelo talento e genialidade que o fizeram completo a ser tragado pelo carrossel ho
Em 1974 o Brasil disputou a Copa sem Pelé. Ele resolveu não participar, embora tivesse condição. Preferiu ser lembrado pelo talento e genialidade que o fizeram completo a ser tragado pelo carrossel holandês. Seu gesto ficou como exemplo de quem sabe parar na hora certa e que há tempo para tudo. Schumacher repetiu Pelé. Deixou as pistas de Fórmula 1 com seis títulos mundiais. Ambos estão perpetuados como ícones do esporte. São exemplos de quem sabe de seus limites e da conveniência de sair de cena oportunamente. A recente eleição da mesa do Senado reconduziu Sarney à presidência da Casa, à qual exercerá pela terceira vez. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ex-presidente da República, constituinte, governador do Maranhão, pai de Roseana, senador pelo Amapá. Com esta vastíssima folha corrida é de supor que muito, ainda, tenha a contribuir. Com a grave crise no Senado sua figura está no centro da tormenta, por duas ou mais razões. A primeira pelo fato de ser o presidente, as demais por estar cogitado como beneficiário direto ou indireto de atos que não colaboram positivamente para sua imagem e principalmente a do Senado. Para rechear as denúncias, surge a figura do mordomo nos melhores estilos de Agatha Christie e Conan Doyle. Só que neste caso, nem de longe, as suspeitas pairam sobre ele. Talvez Sarney, com todo direito, entenda que não é hora de descer do planalto e ficar na planície. Mas ficou mais difícil pendurar as chuteiras com todos os cravos intactos. Pode ter sido bom para o Brasil que precisa conhecer verdadeiramente seus homens públicos. Pelé passou a bola pra frente, Schumacher cruzou a linha de chegada. Eis a senha que muitos teimam em ignorar. O poder e a glória são efêmeros. Os gestos são eternos, principalmente os últimos.
(*) presidente do PSDB Uberaba
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