Verdadeiramente nosso país é cheio de discrepâncias, desigualdades, mazelas e tantas outras coisas que não consigo entender, inclusive, pasmem, na minha área de atuação – justiça criminal – muitas vezes fico sem voz e argumentos diante das indagações ocorridas em salas de aulas e, até mesmo, na rua, conversando com o povão. Veja bem o que está ocorrendo com os PeTralhas mensaleiros: diante de mandados de prisão expedidos pela Justiça, os ilustre$ companheiro$ erguem as mão$ com os punho$ cerrado$, esbravejam como verdadeiros heróis injustiçados, verdadeiros deuses gregos no Olimpo. O que essa gentalha está pensando? Que o mensalão não existiu, que foi tudo uma brincadeirinha, perseguição política. Faça-me o favor! Mais ainda, convoca a militância para manifestar em favor desses bandidos de carteirinha. Digo mais, caso não ocorresse a aposentadoria do ministro Pelluzo, sob minha ótica, o número de condenados seria bem maior, inclusive, com baixa na terra de Major Eustáquio. Foi salvo pelo congo. Confesso, também, uma aparição televisiva exagerada em torno do personagem Joaquim Barbosa – JB; inclusive, pondo sua colher de pau onde não deveria, explic uma vez prolatada a sentença penal condenatória, sua execução é função do juízo da Vara de Execução Penal, exclusivamente, jamais daquele ou daqueles que condenaram. Concordo, até onde li, com os argumentos do movimento Juízes para a democracia, criticando a posição do ministro JB, inclusive, palpitando no sentido de decidir qual o juiz para comandar as execuções penais. Uma intromissão indevida, indelicada, infeliz e desnecessária. Fiquei espantado, e ainda estou, com o tratamento dispensado aos ilustres companheiros PeTralha$. Começou com tratamento vip na viagem para Brasília – num jatinho da Polícia Federal; fosse um preso comum vindo de Francisco de Sá para uma audiência em Uberaba, viria dentro dum camburão fechado, algemado e totalmente insalubre, saculejando como um porco indo pro frigorífico, sem qualquer tipo de reclamação. José Genoíno passou mal, imediatamente chamou o médico; no dia seguinte já estava internado num instituto cardiológico. Logo após veio uma junta médica e no quarto dia de prisão já estava e está ao lado de familiares, cumprindo pena domiciliar. O que está pra vir não faço a menor ideia, mas com certeza será algo bem melhor, talvez uma praia paradisíaca num resort de alto luxo, inclusive, às custas do povo brasileiro, lá na Itália com a companhia de Henrique Pizzolato. Quero registrar que os mensaleiro$, quando chegaram ao presídio da Papuda, logo foram colocados no regime semiaberto, em celas bem diferentes dos demais presos – ao contrário, os simples mortais (4Ps: preto, pobre, prostituta e policial de baixo coturno), nada disso teria acontecido. Ah, estava esquecendo, receberam visitas de parlamentares ilustres, inclusive do governador do Distrito Federal, sem a necessidade de enfrentar filas, senhas e outros constrangimentos destinados aos comuns. Está difícil, em sala de aula, explicar para os alunos do curso de Direito que existe uma única de Lei de Execução Penal (LEP), para todos igualmente, imperativa e impessoal; guardadas as devidas peculiaridades. Pelo andar da carruagem, acredito que os PeTralha$, na altura dos acontecimentos, vão requerer o regime sempre aberto para o cumprimento de suas penas. Coragem não vai faltar, mas óleo de peroba vai, pois a cara foi, é e sempre será cara de pau!!!