Olhar para frente sempre é preciso. Caminhar, recomeçar também. Mas há tempo de parar. Há limites que têm que ser respeitados, há um necessário cozimento nas etapas do viver. O sofrimento é algo inerente ao viver. Embora veja que as alegrias e o contentamento geralmente superam os sofrimentos, o sofrimento sempre vem, a seu modo, a seu turno, a seu gosto.
Com ele, querendo ou não, de tempo em tempo temos que conviver. É algo superior da lida do viver. É tempero de vida, é do amadurecer.
Ocorre que amamos pessoas, e como queríamos não vê-las nunca sofrer. Quanto seria onipotente, aliviante, glorificante se pudéssemos arrancar com a mão, ou de algum modo outro o sofrer das pessoas que amamos. É certo, porém, que não conseguimos retirar a dor de quem amamos, pois muitas vezes não sabemos lidar nem mesmo com a nossa própria dor.
Por outro lado, dói demais pensar ser o causador da melancolia alheia, seja lá de quem for, mesmo recusando a intenção e a vontade de causar a tal tristeza. Seria bom se pudéssemos nunca causar dor a ninguém, mas não podemos ter a ousada pretensão de conseguir. Pueril imaginar que sempre contornaremos a dor de um sofrer, assim sem senti-la pelo tempo necessário de vencê-la, de ao menos superá-la. São muitas as vezes que temos que curtir
o sofrer. Ruminar, refletir, para buscar um amadurecer, um crescer. Certa vez em momento difícil ouvi. Não existe noite tão longa que não encontre o
amanhecer. Importante alento no momento do desespero por uma dor se contorcer. E assim sendo, não adianta revoltar-se pelo sofrer, com o sofrimento haverá que conviver. É da vida, já anunciada na dor do parto, que também aponta novo amanhecer.
Resignar é preciso, ao contrário restaria forte a nefasta opção de revolta do viver. Mas, enfim, seguir é preciso. É o norte de todo ser.