Setor da construção civil defende redução no tamanho mínimo dos lotes e revisão de regras urbanísticas para destravar investimentos e ampliar o acesso à casa própria
A revisão do Plano Diretor de Uberaba, atualmente em análise na Câmara Municipal, é apontada pelo setor da construção civil como um passo importante para ampliar o acesso à moradia na cidade. A principal expectativa é que as novas regras urbanísticas ajudem a reduzir custos e destravar investimentos no setor.
Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Pedro Henrique Araújo Amui, uma das propostas consideradas centrais é a redução do tamanho mínimo dos lotes urbanos, hoje fixado, em geral, em 250 metros quadrados.
De acordo com ele, a medida pode impactar diretamente o preço final dos imóveis. “Não estamos falando em reduzir o tamanho das casas, mas sim dos terrenos, para que o custo final caiba no bolso do cidadão”, afirma.
A mudança também é vista como estratégica para viabilizar empreendimentos dentro de programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, que teve recentemente os limites ampliados pelo governo federal.
Outro ponto acompanhado pelo setor é a reformulação das regras da chamada outorga onerosa, cobrança aplicada a construções que ultrapassam o limite básico permitido. A proposta busca tornar o cálculo mais transparente e previsível, reduzindo entraves burocráticos para novos projetos.
Apesar das expectativas em torno do Plano Diretor, o setor ainda enfrenta desafios, principalmente relacionados ao aumento dos custos da construção. Segundo Amui, a alta nos preços dos insumos e a escassez de mão de obra têm pressionado o mercado e encarecido obras, inclusive reformas residenciais.
Mesmo diante desse cenário, a construção civil segue como um dos principais motores da economia local, representando cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) de Uberaba, o equivalente a aproximadamente R$ 2,5 bilhões movimentados por ano.
Para o Sinduscon, o avanço do Plano Diretor é fundamental para equilibrar crescimento urbano e acesso à moradia. “A ideia é convergir: garantir o desenvolvimento da cidade, mas também entregar moradias mais acessíveis para a população”, conclui o presidente.