Com a intenção de identificar e punir baderneiros e levar mais segurança aos torcedores, o governo brasileiro lançou na última semana um pacote de ações...
Com a intenção de identificar e punir baderneiros e levar mais segurança aos torcedores, o governo brasileiro lançou na última semana um pacote de ações de combate à violência nos estádios. As ações fazem parte de um projeto de lei que altera o Estatuto do Torcedor. Contudo, para entrar em vigor o pacote precisará ser aprovado pelo Congresso Nacional. Entre as medidas estão o cadastro de torcedores, punição criminal para quem incitar e praticar violência, manipular resultados e caça aos cambistas. Estas medidas propostas pelo governo são muito interessantes, porém, isso resolve apenas uma parte do problema. A organização dos eventos, a estrutura dos estádios e outros fatores devem acompanhar também esse progresso no combate à violência, manipulação de resultados e ação de cambistas em eventos esportivos. O que precisa mudar também é a aplicação das leis. Hoje existe no Brasil uma sensação de impunidade muito grande. Infelizmente se tornou algo normal para o torcedor brasileiro ver alguém morrer por causa do futebol. Não é mais chocante este tipo de acontecimento. Temos que saber como agilizar as ações de combate à violência. O cartão torcedor é algo inovador. Nenhum país do mundo tem algo parecido. É claro que vai levar tempo, mas é uma ótima proposta. Precisamos também determinar o comportamento das pessoas nos estádios. Por exemplo, na Europa existe um problema muito sério que é o racismo. Lá já existem leis rigorosas para controlar isso. Vemos sempre clubes e pessoas serem punidas por tais atitudes. As mudanças não vão elitizar o futebol brasileiro. É apenas um novo conceito. As pessoas precisarão se enquadrar. Quem é do bem vai aprovar essas medidas, porque isso acaba com aquele torcedor que se esconde entre estas pessoas. Por outro lado, o projeto de lei lançado pelo governo para combater cambistas, violência de torcidas e manipulação de resultados é mais um passo nesse longo caminho que o futebol brasileiro percorre há 12 anos, e que é quase todo marcado por fracasso, por se acreditar que a lei é capaz de mudar a realidade. Isso não acontece. A lei só funciona quando as pessoas querem que ela funcione. Não adianta pessoas que se acham iluminadas baixarem medidas e esperarem que todos vão segui-las. O cadastramento de torcedores foi tentado muitas vezes e nunca funcionou. E já há forte questionamento sobre sua legalidade. Deter a manipulação de resultados pela mera criminalização é outra quimera. De tudo, o combate aos cambistas é o que tem maior chance de funcionar, mas apenas se a PM decidir agir, o que tem acontecido muito raramente. E só serão pegos os cambistas que atuam nas ruas, não os que trabalham em escritórios e lucram com o sobrepreço. O futebol brasileiro só vai resolver esses problemas quando os dirigentes trabalharem para isso e afastarem os que seguem uma regra básica: não cometer crimes para evitar punição, mas sim porque é errado. No mais, esperar que a polícia e o Ministério Público, mal equipados para a dura realidade nacional, sejam capazes de dar conta dessa responsabilidade é acreditar na cegonha.