Se nos filmes históricos, na TV e, principalmente, nos acontecimentos do nosso dia-a-dia, sempre nos chama atenção a falta ou a fartura de dinheiro, o que dizer da atual crise dos mercados financeiros
É este um problema nosso? Não dá para saber, mas será que teremos que pagar essa conta?
Baseando-se nos princípios de acúmulo de lucro, um seleto grupo de capitalistas busca incrementar seus ganhos sempre que uma negociação é realizada. Isso se tornava possível graças à segurança da economia americana ao longo da história, que servia como porto seguro depois das "aventuras" dos investidores mundo a fora. Porém, a maior "potência" econômica perdeu sua consistência interna e vem atropelando as regras que sustentam sua credibilidade.
O socorro dos cofres públicos aos bancos encrencados, as altas e quedas estrondosas nas bolsas de valores, configuram o que alguns jornais decidiram chamar de a "Pearl Harbor Financeira". Assim como, mesmo longe do palco do conflito, os americanos foram atacados em seu território, foi nos EUA que a crise germinou para atacar os mercados em todo o planeta.
Hoje, o maior problema que temos é a falta de confiança nos ativos financeiros, além de reservas internacionais, que se tornaram extremamente voláteis, mesmo sendo gigantescas. Logicamente, a economia brasileira já sofre os efeitos da confusão internacional. Por aqui, como em todo o mundo, já ocorrem fusões, incorporações, variações bruscas do câmbio e de ações e paradas das bolsas para tentar aguentar o baque.
O pacote americano, que promete injetar setecentos bilhões de dólares para barrar a crise, representa dois mil e trezentos dólares desembolsados por cada habitante dos Estados Unidos. Não é certo que isso resolva o problema e, mesmo assim, o pesadelo não acaba tão cedo. Resta saber como ficam os governos dos países atingidos pela crise, que precisam de crédito internacional para dar tranquilidade a seus mercados domésticos.
Há quem aposte que um programa de infra-estrutura comparado ao New Deal seja uma solução viável. A meu ver, poderia sustentar o sistema político, mas não traria tranquilidade imediata ao pandemônio internacional.
Como qualquer crise, essa só vai passar de verdade quando a confiança for restabelecida. A irresponsabilidade ou incompetência de seus administradores colocou a economia da maior potência do mundo na contramão do "sufrágio comercial", que determina o princípio da distribuição ou apropriação em benefício próprio dos lucros e realização coletiva dos prejuízos. Mas, dessa vez, a crise pegou primeiro quem lucra pra depois avançar em quem precisa do dinheiro.